Início Mundo Membros da ONU discutem reforço urgente da resposta às cheias em Moçambique

Membros da ONU discutem reforço urgente da resposta às cheias em Moçambique


Da redação

Chuvas intensas provocaram enchentes em Moçambique e no sul da África, afetando cerca de 800 mil pessoas em 10 países. Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), Moçambique concentrou 700 mil vítimas, com mortes registradas também na África do Sul, Maláui, Lesoto e Zimbábue. A diretora de Operações de Emergência do Ocha, Edem Wosornu, alertou que desastres climáticos tornam-se mais frequentes e destrutivos, destacando a necessidade de preparação e apoio coordenado.

O embaixador de Moçambique na ONU, Domingos Estêvão Fernandes, reforçou o pedido por assistência internacional, incluindo ajuda financeira sustentável e apoio nas áreas de sobrevivência, segurança alimentar e recuperação de infraestrutura crítica. Fernandes destacou ainda a necessidade de fortalecer as capacidades de preparação para desastres, com sistemas de alerta e resiliência pós-crise.

Catherine Sodzi, chefe da ONU em Moçambique, relatou o desejo das vítimas de se recuperar com dignidade e pediu mais fundos da comunidade internacional. Foi lançado um apelo para revisão do Plano de Resposta Humanitária, com a ONU buscando US$ 187 milhões para ajudar 600 mil pessoas vulneráveis, entre elas crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e deslocados.

O Acnur informou que milhares de moçambicanos ficaram isolados por dias em telhados, e mais de 400 mil foram novamente deslocados, enfrentando riscos de doenças e violência, principalmente mulheres e crianças. O apoio inclui reabilitação de estradas, escolas e centros de saúde destruídos. Muitas famílias perderam casas e meios de subsistência, agravando os efeitos sociais e econômicos do desastre.

O Programa Mundial de Alimentos (WFP) destacou dificuldades logísticas, com mais de 1,5 mil km de estradas destruídos e acesso restrito às áreas afetadas. A atuação da agência está limitada por falta de recursos, operando com 40% menos fundos que em 2025, usando aeronaves, helicópteros e veículos anfíbios para entregar ajuda emergencial.