Da redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu à Polícia Federal (PF) um prazo de 60 dias para entregar um relatório completo sobre o Banco Master, detalhando eventuais autoridades com foro privilegiado citadas nas investigações. O próximo passo de Mendonça será decidir se o caso permanecerá no STF ou será remetido à primeira instância.
O prazo foi definido em reunião nesta segunda-feira (23), entre Mendonça e os investigadores responsáveis pela operação “Compliance Zero”. Durante o encontro, a PF apresentou o andamento das apurações e Mendonça exibiu uma lista de processos vinculados ao caso.
A PF deve entregar ao ministro, em dois meses, uma análise de todo o material apreendido, incluindo o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master e principal alvo das investigações. Conversas de Vorcaro mencionam o antigo relator do caso, ministro Dias Toffoli, além de lideranças partidárias e altas autoridades, mas não há indícios de envolvimento direto na produção de carteiras fraudulentas de crédito consignado.
Apesar da ausência de provas de envolvimento direto, fontes próximas a Mendonça indicam que o caso deve permanecer no STF devido à complexidade das investigações. Mendonça também impôs sigilo rígido, restringindo o acesso às informações apenas a policiais diretamente ligados ao caso, incluindo a vedação de compartilhamento com superiores hierárquicos.
O protocolo de sigilo foi interpretado como uma medida “antivazamento” e, até agora, a PF se mostrou disposta a cumprir o prazo estabelecido. O ministro já havia se reunido com delegados no dia 13 de fevereiro, após substituir Toffoli, que deixou a relatoria após suspeitas de ligação com Vorcaro. Toffoli nega qualquer relação pessoal ou financeira com o banqueiro, mas admite participação societária em empresa vinculada ao grupo investigado.






