Por Alex Blau Blau
Conversas obtidas em investigação revelam tratativas sobre repasse de R$ 8 milhões para empresa apontada como peça central em esquema financeiro sob apuração
Mensagens analisadas durante uma investigação da Polícia Federal indicam que o empresário Marcelo Maia Souza Marques participou de tratativas envolvendo um pagamento de R$ 8 milhões relacionado à empresa Mídias Promotora, apontada pelos investigadores como uma das estruturas utilizadas para movimentação de recursos ligados ao Banco Master.
Marcelo Maia é irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques. De acordo com os registros obtidos pela investigação, ele manteve conversas com o banqueiro
Daniel Vorcaro sobre a liberação dos valores para a empresa sediada no Rio de Janeiro. Em uma das mensagens atribuídas ao diálogo entre os dois, Vorcaro questiona se o montante destinado à Mídias Promotora correspondia a R$ 8 milhões.
Em resposta, Marcelo informa que o valor havia sido validado e que o pagamento deveria ser realizado ainda naquele dia. Segundo a Polícia Federal, a Mídias Promotora estaria sob controle de Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como operador responsável por articulações e intermediações ligadas ao Banco Master no estado do Rio de Janeiro.
As investigações sustentam que a empresa teria sido utilizada para realizar pagamentos a integrantes de um esquema financeiro, conferindo aparência formal às transações.
Dados fiscais analisados pelos investigadores mostram que a empresa recebeu aproximadamente R$ 126,6 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Valores identificados na investigação Empresa Período analisado Valor recebido Mídias Promotora 2023 a 2025 R$ 126,6 milhões Pagamento tratado em mensagens Maio de 2024 R$ 8 milhões
Outro ponto observado pelos investigadores envolve a ligação de Marcelo Maia com empreendimentos relacionados à Credcesta. Registros apontam que ele foi responsável pelo cadastramento dos domínios eletrônicos associados à marca em 2018, período em que estruturas empresariais ligadas ao setor financeiro ampliavam participação na operação do negócio.
A apuração também destaca vínculos societários de Marcelo Maia com André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master, por meio de uma empresa de consultoria. Ambos tiveram os nomes mencionados em investigações e discussões parlamentares relacionadas a operações financeiras e contratos vinculados ao banco.
Até o fechamento desta reportagem, Marcelo Maia Souza Marques não havia se manifestado sobre o conteúdo das mensagens nem sobre as conclusões apresentadas pelos investigadores.
O Ministério Público da Bahia e o procurador-geral Pedro Maia Souza Marques também não haviam apresentado posicionamento público sobre o caso.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer o papel de cada um dos envolvidos, além da origem e do destino dos recursos movimentados nas operações analisadas pela Polícia Federal.







