Início Política Mensagens de Vorcaro mostram trânsito entre STF, Congresso, governo e empresários

Mensagens de Vorcaro mostram trânsito entre STF, Congresso, governo e empresários


Da redação

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, apontam que ele manteve interlocução direta com autoridades dos três Poderes e grandes empresários, revela investigação da CPI mista do INSS a partir da quebra de sigilo telefônico. O material, obtido pela Polícia Federal e enviado ao Congresso, retrata encontros e conversas com ministros do STF, líderes do Senado e da Câmara, integrantes do governo federal e representantes do setor produtivo, conforme diálogos com sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff.

Os diálogos vão de outubro de 2024 a agosto de 2025, período anterior à liquidação do Banco Master pelo Banco Central e à primeira prisão de Vorcaro. Em mensagens, o ex-banqueiro trata o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), como “um dos meus grandes amigos de vida”, e comemora a chamada “emenda Master”, apresentada por Nogueira para aumentar a cobertura do FGC para R$ 1 milhão, proposta posteriormente arquivada.

Vorcaro também relata encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), citando jantares oficiais e reuniões com Motta, Nogueira e Alexandre de Moraes, ministro do STF. Com Moraes, o ex-banqueiro mencionou encontros particulares em abril de 2025, inclusive em “Campos”.

Constam ainda relatos de reunião com o presidente Lula, no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, com participação de Gabriel Galípolo (hoje presidente do Banco Central) e ministros, em que Vorcaro teria criticado a concentração bancária. Há também menção a encontros com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), sobre uma “estratégia de guerra” durante as negociações para a compra do Master pelo BRB — o que Rocha nega.

Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de fraude financeira e tentativa de obstrução de investigações. Segundo sua defesa, não houve acesso prévio aos fundamentos da prisão. Procurados, Hugo Motta, Alexandre de Moraes, Ibaneis Rocha, o BTG Pactual e João Doria deram respostas ou justificativas sobre o conteúdo das mensagens.