Da redação
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro detalham a existência de uma estrutura de recrutamento de mulheres brasileiras e estrangeiras para festas privadas organizadas por ele no Brasil e no exterior, com a participação dos agenciadores Leonardo Serrano e Diogo Batista, segundo apuração do UOL. As conversas revelam a divisão de tarefas: Batista era responsável pelo contato com as mulheres e pela execução das atividades, enquanto Vorcaro tomava decisões sobre seleção, pagamentos e organização dos eventos.
De acordo com os diálogos, mulheres eram distribuídas conforme a preferência de Vorcaro e tipo de evento, incluindo encontros privados e festas com autoridades em cidades como Paris, Londres, Roma e Dubai. Termos como “escravas”, “kengas” e “creche” eram usados para se referir às mulheres. Em outubro de 2023, uma refugiada ucraniana de 19 anos entrou no grupo, e discussões trataram de sua permanência no Brasil e da inclusão de outras refugiadas em uma agência de modelos.
As mensagens também mostram negociações para uso ou aquisição da agência Allure Eventos, pertencente a Felipe Nisti Cataldo, com proposta de compra de 50% por R$ 1,5 milhão, divididos em parcelas. Nisti, entretanto, negou que a transação tenha avançado conforme os termos das conversas. As despesas dos eventos eram cobradas por meio de faturas da empresa SL Consulting à Moriah Asset e Prime You, totalizando cerca de US$ 70 milhões entre abril de 2024 e março de 2025.
O caso é investigado pela Polícia Federal, que apura a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação dos serviços. Propriedades das mensagens não comprovam, por si só, a prática de tráfico internacional de pessoas. Procurada, a defesa de Vorcaro, dono do Banco Master, declarou que não irá se manifestar sobre o assunto.




