Da redação
Estudo do economista Thiago Angelis, do Bradesco, aponta que o mercado financeiro projeta um resultado primário para o governo federal abaixo das metas estabelecidas até 2030, conforme dados do Boletim Focus do Banco Central. As previsões dos bancos e corretoras diferem negativamente das metas em todos os anos do período.
De acordo com Angelis, a diferença nas projeções do mercado em relação à meta do governo sobe de 0,34 ponto do Produto Interno Bruto em 2026 para 1,27 ponto em 2030. O economista atribui esse cenário à desconfiança em relação ao cumprimento das metas fiscais, agravada pela ampliação dos chamados “descontos” autorizados pelo Congresso para reduzir gastos na apuração da meta.
O estudo do Bradesco compara o comportamento do mercado em dois momentos: em 2003, quando a meta fiscal foi elevada, as projeções dos analistas se ajustaram rapidamente. Em 2023, após o anúncio do novo arcabouço fiscal, as expectativas para 2026 pouco se alteraram, avançando apenas 0,02 ponto, ou 1,5% do caminho até a meta anunciada.
Segundo Angelis, em 2027 estão previstos descontos de R$ 65,66 bilhões, ou 0,45% do PIB. A proposta orçamentária da União para o mesmo ano indica uma sobra de R$ 18,6 bilhões com todos os gastos e R$ 83,4 bilhões após os descontos. O relatório também cita estudo do Fundo Monetário Internacional com 41 países, que sugere forte influência da credibilidade do governo sobre as previsões do mercado.




