Da redação
O mercado financeiro passou a projetar crescimento econômico menor para 2027 devido às revisões nas expectativas sobre o término do ciclo de cortes de juros. Analistas avaliam que o Banco Central pode encerrar 2026 com a Selic a 14% ou mais, enquanto o BTG Pactual prevê um cenário ainda mais restritivo.
Segundo o relatório da economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, a próxima redução de 0,25 ponto percentual na Selic deve ser a última do atual ciclo, encerrando 2026 com o índice em 14,25%. Ela destacou que fatores como expectativas desancoradas e choques de oferta dificultam a distinção dos efeitos primários e secundários na economia.
Diante dessas condições, Ferrão recomenda cautela na política monetária. “Num ambiente de expectativas já desancoradas, a coexistência de múltiplos choques de oferta torna particularmente difícil distinguir os efeitos primários dos efeitos secundários, recomendando maior cautela na condução da política monetária”, afirmou em nota enviada a clientes.
A economista defende que o Banco Central suspenda novas reduções na Selic em junho, aguardando maior clareza sobre a realização de riscos e o comportamento dos efeitos secundários. Esse posicionamento reflete a preocupação com a inflação e impactos macroeconômicos decorrentes do cenário atual.
Com taxas de juros elevadas ao longo do segundo semestre de 2026 e continuidade desse patamar em 2027, somadas à perspectiva de menor estímulo fiscal após o início do próximo mandato presidencial, o BTG Pactual revisou a estimativa de crescimento do PIB para 2027 de 1,6% para 1,1%.
O menor estímulo fiscal projeta-se a partir do orçamento do governo federal, que prevê despesas discricionárias em torno de R$ 92 bilhões para 2027. A alta das despesas obrigatórias e o aumento do peso das emendas parlamentares comprometem os repasses para áreas como saúde e educação, reduzindo a margem para investimentos públicos.





