Início Eleições Michelle reorganiza atuação política após deixar comando do PL Mulher e amplia...

Michelle reorganiza atuação política após deixar comando do PL Mulher e amplia articulação com candidatas e igrejas

Por Alex Blau Blau

Ex primeira dama aposta em rede própria de lideranças femininas, movimento independente e fortalecimento da atuação junto ao público evangélico para manter protagonismo político

Após deixar a presidência do PL Mulher e em meio ao rompimento político com o senador Flávio Bolsonaro, a ex primeira dama Michelle Bolsonaro iniciou uma nova estratégia para preservar sua influência no cenário nacional. Sem ocupar cargo formal na estrutura partidária, ela passou a concentrar sua atuação em uma rede de candidatas, lideranças religiosas e no movimento denominado Imparáveis.

Pessoas próximas à ex primeira dama afirmam que a reorganização começou ainda durante o período de desgaste interno no Partido Liberal. Desde então, Michelle reduziu a exposição pública, intensificou reuniões por videoconferência e direcionou seus esforços ao fortalecimento de mulheres que receberam seu apoio político nos últimos anos.

Nos bastidores, aliados avaliam que o principal patrimônio político de Michelle nunca esteve no comando do PL Mulher, mas na relação construída diretamente com deputadas, prefeitas, vereadoras, dirigentes estaduais e representantes do segmento religioso em diversas regiões do país.

Essa estratégia ganhou força logo após a crise com Flávio Bolsonaro. Enquanto o senador mantinha conversas para tentar amenizar o conflito interno, Michelle permaneceu atuando em favor de candidaturas femininas e gravando materiais de campanha para representantes da legenda em diferentes estados.

Outro pilar da nova fase é o movimento Imparáveis, criado para funcionar como uma comunidade de mobilização política sem vínculo institucional com partidos. O projeto busca reunir apoiadores identificados com as pautas defendidas pela ex primeira dama, especialmente entre mulheres e eleitores evangélicos, promovendo ações de formação política e engajamento contínuo.

Inicialmente previsto para ser lançado apenas após o ciclo eleitoral, o movimento teve seu cronograma antecipado em razão das mudanças ocorridas dentro do partido. A proposta é ampliar a atuação para além das estruturas tradicionais da política.

Michelle também passou a concentrar atenção em um grupo considerado estratégico de candidatas ao Legislativo e ao Senado. Entre os nomes acompanhados mais de perto estão parlamentares e dirigentes estaduais que ganharam projeção durante sua passagem pelo PL Mulher e que hoje integram seu núcleo político de maior confiança.

A avaliação de aliados é que o fortalecimento desse grupo poderá manter a influência da ex primeira dama dentro do campo conservador, independentemente de ela exercer ou não uma função partidária.

A nova estratégia também prevê agendas presenciais em estados considerados prioritários, como Santa Catarina, Roraima e o Distrito Federal. Paralelamente, Michelle pretende ampliar a produção de vídeos para campanhas, mensagens direcionadas a lideranças locais e reuniões virtuais, formato adotado desde que Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar.

Outro foco será o eleitorado evangélico. A expectativa é que a ex primeira dama intensifique sua participação em encontros religiosos, congressos femininos e eventos promovidos por igrejas com as quais mantém relacionamento há anos, segmento em que seus aliados consideram estar sua maior força política.

Apesar do distanciamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, integrantes do Partido Liberal afirmam que Michelle continuará participando do processo eleitoral, principalmente apoiando candidatas que ajudou a projetar nacionalmente.

Enquanto isso, permanece indefinida sua eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Pessoas próximas afirmam que a ex primeira dama ainda avalia os próximos passos e que permanecer fora da disputa eleitoral poderá lhe dar maior liberdade para percorrer o país fortalecendo sua rede política e ampliando sua atuação junto às mulheres e às lideranças religiosas.