Da redação
Desde maio de 2023, escolas do Distrito Federal administradas pelo Corpo de Bombeiros foram palco de denúncias envolvendo abordagens a alunos, especialmente de periferia, por uso de cabelos longos ou crespos e ausência do casaco do uniforme, peça ainda não distribuída pela Secretaria de Educação (SEEDF).
Alunos relataram ter sido multados por não possuir o casaco do uniforme e obrigados a fazer exercícios físicos como punição. Conforme apurado, estudantes também foram impedidos de assistir às aulas, recebendo advertências e ameaças de suspensão em razão do corte de cabelo considerado inadequado pelos militares responsáveis.
A professora Fabiana Alves de Carvalho afirmou que seu filho, estudante de 14 anos do CED Myriam Ervilha, passou a sofrer, segundo ela, “perseguição reiterada, constrangimento psicológico, retirada indevida de sala de aula, discriminação e tentativa de intimidação” desde a militarização da escola. Fabiana recorreu ao Ministério Público para contestar as abordagens.
O motivo seria o cabelo crespo e longo do adolescente. Segundo Fabiana, os militares exigiram que ele cortasse o cabelo, justificando que exceções só se aplicariam a estudantes negros e autistas. Posteriormente, Fabiana apresentou a LDB, o ECA e a Constituição Federal, mas ouviu dos responsáveis que “o regimento é quem manda na escola”.
Na última sexta-feira, 24 de abril, o estudante foi retirado da sala de aula duas vezes, fato que quase comprometeu sua avaliação escolar. Em abordagem, disse ter recebido comentários sobre sua aparência física, além de constrangimentos como sugestões de transferência para outra escola. Diante da situação, o jovem relatou desânimo para frequentar as aulas.
Após comunicação com a direção da escola e com o Ministério Público, os militares interromperam as abordagens ao filho de Fabiana. Escolas militarizadas do DF vêm sendo alvo de questionamentos sobre práticas disciplinares e ausência de critérios pedagógicos na condução de medidas disciplinares.





