Início Câmara Legislativa Ministério Público pede que TSE mantenha cassação do mandato de José Gomes

Ministério Público pede que TSE mantenha cassação do mandato de José Gomes

Parecer do MPE reafirma acusação de abuso de poder econômico por parte do distrital e coação de funcionários da empresa Real JG

Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a manutenção da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) que cassou o mandato do deputado distrital José Gomes (PSB) por abuso de poder econômico, conforme revelou o Metrópoles. O pedido é do vice-procurador-geral eleitoral Renato Brill de Góes, que acatou as denúncias de coação de funcionários da empresa Real JG Serviços Gerais durante a eleição de 2018.

O deputado foi condenado por unanimidade pelo TRE-DF em 11 de abril do ano passado à perda do mandato. Após a condenação, José Gomes entrou com recurso no TSE, motivo que levou o MPE a pedir o indeferimento da matéria.

O parlamentar foi denunciado por funcionárias demitidas após se recusarem a fazer campanha para o patrão e pelo deputado Chico Vigilante (PT).

Áudios do primo e braço direito de José Gomes, Douglas Ferreira Laet, pedindo que os empregados fossem leais ao empresário e votassem neles foram divulgados, também em primeira mão pelo Metrópoles, confirmando os relatos dos trabalhadores. As gravações foram anexadas, tanto no TRE-DF quanto no TSE, como prova no processo.

Foram anexados ainda mensagens do próprio José Gomes aos empregados, no mesmo sentido: pedindo para os funcionários “abraçar a causa” para que todos “sejam beneficiados”.

O pedido

Em 33 páginas e 119 parágrafos, o procurador aponta indícios e provas contra José Gomes, que, na visão do MPE, configuram crime eleitoral. De acordo com a peça, tanto funcionários quanto o próprio deputado teriam se dirigido aos trabalhadores da empresa terceirizada com o intuito de os coagirem a votar no patrão.

“O abuso de poder econômico está configurado, na medida em que o candidato José Gomes, exorbitando de sua função de empresário e empregador de milhares de pessoas, valeu-se dessa condição para coagir e ameaçar seus funcionários a se engajarem em sua campanha eleitoral, requisitando que estes demonstrassem lealdade e apoio político, assim como por ter descaracterizado o objeto social da empresa Real JG, utilizando-a como engrenagem propulsora de sua candidatura”, destaca o procurador em seu parecer.

No TSE, o processo está sob a relatoria do ministro Og Fernandes, que ainda não apresentou seu parecer. Apesar de estar “concluso para julgamento” no sistema do Tribunal Superior Eleitoral e ter “prioridade” por se tratar de processo de cassação, ainda não há data marcada para a apreciação da matéria em plenário.

Fonte: Metrópoles