Da redação do Conectado ao Poder
Documentos sugere tentativa de impedir a posse do presidente Lula; Torres afirma que deveriam ter sido descartados.

Uma minuta com conteúdo golpista foi encontrada na residência de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, durante uma operação da Polícia Federal em janeiro de 2023. O documento, que visava impedir a posse do presidente Lula, gerou polêmica e repercussão.
Torres alegou que a minuta, cujo conteúdo não foi discutido com o presidente, foi um erro de sua assessoria e deveria ter sido descartada. Ele afirmou: “Nunca tratei isso com o presidente. A pasta foi organizada pela minha assessoria, foi parar na minha casa. Isso foi uma fatalidade que aconteceu, e era para ter sido destruído.” Segundo ele, o texto estava mal formulado, sem coerência e com erros de concordância.
A operação que resultou na apreensão do documento ocorreu após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em que prédios dos Três Poderes, em Brasília, foram depredados. A minuta encontrada era um decreto para instaurar estado de defesa e reverter os resultados das eleições em que Lula foi vitorioso.
Torres também mencionou que a ideia de um golpe era uma “voz corrente na Esplanada”, e que outros oficiais também receberam documentos semelhantes. Ele declarou: “Naquela época, era voz corrente na Esplanada. A gente recebia minutas, papeis…” No entanto, reforçou que a minuta não era indicativa de um movimento golpista organizado.
Após a busca e apreensão em sua residência, Torres ficou surpreso ao ver o documento em questão, ainda mais porque, segundo ele, não tinha consciência de que estava em sua casa. O ex-ministro, que no momento dos ataques estava fora do país, relatou que deixou um protocolo de segurança em sua gestão que deveria ter evitado a invasão dos prédios públicos.
Além disso, Torres enfrenta sérias acusações, incluindo tentativa de golpe de Estado e participação em uma organização criminosa, com penas que podem chegar a 43 anos de prisão. A defesa de Torres está em andamento, contando com o depoimento de testemunhas que estão sendo convocadas pelo Supremo Tribunal Federal.






