Da redação
A vacinação preventiva global contra a cólera foi retomada após mais de três anos de suspensão, graças ao aumento do fornecimento internacional de vacinas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30) pela Aliança Global para Vacinas (Gavi), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Moçambique é o primeiro país a retomar as campanhas, que haviam sido interrompidas em 2022 devido à alta procura provocada pelo aumento global de casos.
No país africano, a vacinação ocorre em meio a um surto ativo de cólera e às consequências de inundações recentes, que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares. As enchentes também danificaram sistemas de saúde e abastecimento de água, elevando o risco de doenças transmitidas pela água.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, com foco no controle de surtos, e afirmou que a agência está agora em posição mais forte para quebrar esse ciclo. Foram alocadas 20 milhões de doses de vacinas para campanhas preventivas, das quais Moçambique já recebeu 3,6 milhões. O restante será destinado à República Democrática do Congo e ao Bangladesh.
A produção global anual de vacinas contra a cólera dobrou, de 35 milhões em 2022 para quase 70 milhões esperados em 2025. Esses imunizantes são financiados pela Gavi e distribuídos pelo Unicef, com os países beneficiários escolhidos segundo critérios da Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera.
Segundo Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, o aumento no fornecimento das vacinas permite prevenir emergências em larga escala. Em 2024, foram registrados mais de 600 mil casos e 6,7 mil mortes em 33 países, embora os números reais devam ser maiores devido à subnotificação. A OMS reforça que, além da vacinação, são necessários investimentos duradouros em água, saneamento, higiene, vigilância, tratamento e engajamento comunitário.








