Da redação
O diretor de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Sérgio Telles, afirmou ao PlatôBR que o modelo de crescimento econômico do Brasil, baseado no estímulo à demanda e no aumento do gasto público, mostra sinais de esgotamento. Segundo ele, o PIB cresceu cerca de 3% entre 2022 e 2024, mas deve desacelerar para 2,3% em 2025. “Sem a safra recorde da agropecuária, o crescimento teria sido ainda menor”, destacou.
Telles ressaltou que esse modelo eleva o endividamento e a carga tributária, reduzindo a competitividade. Gargalos estruturais, como o chamado “Custo Brasil”, a concorrência de importados e problemas de infraestrutura também prejudicam a indústria nacional. Em quatro anos, a importação de bens de consumo aumentou 56%, impulsionada por práticas desleais como o dumping e subfaturamento, afetando diretamente o setor produtivo local.
Ele alerta ainda para fatores como a qualificação da mão de obra, inovação, desenvolvimento regional e o alto custo do financiamento, agravado pelo spread bancário elevado. “Além da taxa básica alta, o spread no Brasil é muito alto devido à carga tributária sobre o crédito, baixa concorrência bancária e riscos elevados”, afirmou.
Telles também comentou o cenário externo adverso, como a guerra no Oriente Médio, que pressiona preços e inflação, restringindo a queda dos juros. Apesar disso, avalia que “os juros reais estão acima de 10%, enquanto o neutro seria 5,5%, então ainda há espaço para redução sem comprometer a inflação”.
Por fim, o diretor defendeu revisão das despesas obrigatórias, como benefícios atrelados ao salário mínimo, e flexibilização dos gastos mínimos com saúde e educação. “O aumento do endividamento – público, empresarial e das famílias – é o principal risco hoje, e pode levar a uma nova recessão se não houver ajustes”, concluiu.






