Da redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta desafios em sua pré-candidatura à Presidência ao tentar se apresentar como político moderado e diferenciado do pai, Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado. Aliados ressaltam que o perfil menos histriônico pode ampliar seu eleitorado, enquanto estudiosos da extrema direita alertam que a estratégia é limitada pela proximidade histórica com o bolsonarismo. Pesquisa Datafolha deste mês mostra rejeição semelhante: Lula com 46% e Flávio, 45%.
Flávio passou a adotar postura moderada em 2023, com reuniões e postagens direcionadas a grupos minorizados. No Dia Internacional da Mulher divulgou vídeo sobre creches, e em fevereiro defendeu o jogador Vinicius Jr. diante de ataques racistas. Também republicou uma ilustração em defesa da liberdade sexual. Em sua atuação parlamentar, porém, mantém discurso linha-dura, como a defesa da maioridade penal aos 14 anos e castração química para estupradores.
Cientistas políticos, como Odilon Caldeira Neto (UFJF) e Mayra Goulart (UFRJ), apontam contradição em “bolsonarismo moderado”, sustentando que Flávio carrega o extremismo do pai. Thaís Pavez, da Pesquisa Latina Consultoria, afirma que a estratégia já fracassou antes, citando Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já Adriano Gianturco (Ibmec) avalia ser possível o surgimento de versões moderadas do movimento.
Ao longo da carreira, Flávio apoiou pautas e personagens ligados ao bolsonarismo, como a concessão da medalha Tiradentes ao ex-PM Adriano da Nóbrega, morto em confronto com a polícia. Também defendeu o pai em episódios de declarações polêmicas e homenagens a figuras da ditadura militar.
Na defesa de Jair Bolsonaro, Flávio nega ter havido golpe em 8 de janeiro de 2023 e defende anistia ao pai, inclusive sugerindo uso da força contra eventual reação do STF — postura criticada por Gabriela Zancaner, da PUC-SP, que lembra a separação de poderes na Constituição.





