Da redação do Conectado ao Poder
Diversos moradores do bairro Jardim de Alá tiveram as suas casas destelhadas, além de prejuízos devido à última forte chuva na região

“A minha sobrinha me mandou mensagem dizendo que o telhado da minha casa estava todo caindo. Pedi ao meu chefe para me liberar e, eu vim, ela estava toda destelhada (a casa), caiu tudo”. Esse é o relato de Ledislaine Duarte Ferreira (37), ela estava trabalhando quando uma tempestade de grande intensidade atingiu a cidade de Santo Antônio do Desconto, situada no entorno de Goiás. A forte chuva causou caos e prejuízos significativos à comunidade local. Diversos moradores do bairro do Jardim de Alá tiveram seus telhados arrancados, as ruas ficaram alagadas, e inúmeras famílias ficaram desabrigadas após a chuva na última quarta-feira (25).
A trabalhadora de serviços gerais, ainda relatou que no momento que constatou que sua casa estava sendo levada pelos ventos, seu filho de 8 anos, que estava em casa com a babá, era sua única preocupação. “O meu desespero foi o meu filho, pensei no meu filho. É dolorido você vê sua casa (nessa situação) e seu filho dentro. Você não tem como dormir e ontem choveu e está tudo molhando, a única parte que não afetou foi a cozinha, mas meus móveis continua tudo lá, está sem energia, sem nada”, desabafou Ledislaine.
Joseph Faustino (39), também não estava em casa quando aconteceu a destruição. Segundo o vendedor de carros, sua mãe e seus filhos presenciaram quando o vento da chuva levou 8 telhas do teto da sua residência. “Essa ventania foi de repente, ela estava aqui em casa, minha mãe só escutou o barulho dos ventos quebrando as telhas e quebrou 8 ou 9 telhas nossas, foi para o vizinho também, quebrou, foi um estrago realmente, foi um fenômeno da natureza que deu um prejuízo bastante para a galera aqui do Jardim”, explicou.
Em entrevista ao Conectado ao Poder, Ana Célia Araújo (51), confessou que passou por momentos de tensão. A água da chuva chegou a bater nas canelas da sua perna. Por conta do medo da água avançar ainda mais, a dona de casa, em um momento de desespero, furou dois buracos na parede da sua cozinha, para evacuar mais rápido o excesso de água. Ela ainda apontou que, na sua opinião, uma possível falha no parafusamento das telhas pode ter ocasionado a perda de tantas famílias. “Eu acho que foi, porque tem umas que voaram, tem outras que não voarão. O meu irmão é pedreiro, ele falou que as minhas telhas só foram levadas porque os parafusos estavam folgados”.
O momento do estrago causado pelas chuvas foi caracterizado pela sua súbita e devastadora chegada. De acordo com relatos de comerciantes locais, como Soraia Oliveira Santos (44), o evento foi surpreendentemente rápido e avassalador. “Eu estava sentada aqui, curtindo a brisa, e aí vem aquela chuva. E nós pensamos, Glória, porque choveu, era bom, gostoso e, de repente, foi questão de segundos, um vento, a gente entrou e pronto, foi questão de abrir e fechar o olho, tava tudo destruído e só vi o povo correndo, destelhou de um lado, destelhou do outro”, relembrou
Além disso, a moradora pontua que a forte chuva que atingiu a região causou sérios danos às residências, atingindo até a rotina escolar das crianças e deixando muitas delas sem telhado. “Muitas casas aqui ficam totalmente destelhadas, outras perderam uma, duas, três, quatro, cinco telhas. Tem crianças que não foram para a escola, o material todo foi perdido, destelhou o quarto dos meninos, dormiram na casa de parentes”.
Enquanto os moradores do Jardim de Alá se esforçam para lidar com as consequências da chuva forte, Soraia destaca a compreensão de que os estragos causados pelo vento nas casas não são culpa da prefeitura municipal. No entanto, a comunidade compartilha um profundo descontentamento em relação à demora em resolver outro problema que se impôs em meio à crise, como, por exemplo, a desinteresse em ligar a energia elétrica. “A minha reclamação aqui é que nós (os moradores) fazemos várias ligações, os caras que, se dizem técnicos, porque a gente é morador daqui e os problemas são os mesmos, a gente já sabe até o problema. Só que a gente não pode resolver porque é energia, é perigoso. Para mim, falou um horário de que iria resolver, para ela (sua filha) já falaram outro. A vizinha com criança dentro de casa, precisando de água, de energia, de tudo. Tem que ir para casa da mãe dela”.
Por fim, Soraia e a comunidade se alegram com o fato de todos terem sobrevivido aos estragos causados pela chuva, mas paira uma incerteza em relação à possível ajuda por parte dos políticos e representantes municipais. “O que a gente teme é pela vida, e está todo mundo com vida, graças a Deus, e fica o prejuízo. Foi muito rápido, muito rápido, questão de 5 minutos. A assistência social anotou as reclamações, anotaram tudo, mas não sei se eles realmente vão voltar e ajudar em alguma coisa”, desabafou.
O Conectado ao Poder tentou contato com a prefeitura e a assistência social de Santo Antônio do Descoberto para saber qual tipo de serviço e suporte está sendo oferecido aos moradores que foram prejudicados pelas fortes chuvas na região do Jardim de Alá, mas até o final desta matéria não obteve resposta.




