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Morando nos EUA, Wagner Moura diz ter medo de agentes de imigração do ICE


Da redação

O ator Wagner Moura voltou a criticar a política anti-imigração dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Em entrevista ao jornal El País, publicada nesta quinta-feira (19/2), Moura afirmou temer a atuação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). O brasileiro, que mora no país desde 2017, destacou a preocupação com as ações das autoridades contra imigrantes.

“Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, declarou o ator.

Moura comparou o atual cenário dos Estados Unidos ao que o Brasil enfrentou nos últimos anos. “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”, afirmou.

Segundo o ator, a extrema direita no Brasil foi eficaz em transformar artistas em inimigos do povo, com discursos que os associam ao uso de dinheiro público e à manipulação da verdade. As declarações foram dadas durante a divulgação do filme “O Agente Secreto”, que recebeu quatro indicações ao Oscar.

Wagner Moura também destacou o papel das redes sociais nesse processo. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”, concluiu.