Da redação
A médica e pesquisadora Angelita Habr-Gama morreu neste sábado, 30, aos 93 anos, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde estava internada desde 6 de maio. Referência mundial em coloproctologia, Angelita teve a causa da morte não divulgada, conforme informado pela unidade hospitalar.
Nascida na Ilha de Marajó, no Pará, Angelita mudou-se para São Paulo com a família em 1939, após a morte de seu irmão por apendicite supurada. Aos 14 anos, enfrentou a resistência do pai ao optar pela Medicina em vez de ser professora, ingressando na Faculdade de Medicina da USP em 1952.
Durante sua formação, Angelita enfrentou obstáculos para ingressar na residência de cirurgia, sendo inicialmente desencorajada por professores. “O chefe… me falou: ‘você vai casar, ter filhos, esquecer a cirurgia e vai ter ocupado a vaga de um rapaz’”, relatou. Ela insistiu, fez a seleção em 1957 e passou em primeiro lugar, tornando-se a primeira mulher residente em cirurgia no Hospital das Clínicas.
Posteriormente, especializou-se em operações do intestino e conseguiu estágio no Hospital St. Marks, em Londres, após persistentes tentativas. Angelita foi a primeira mulher admitida nessa instituição, em 1962. Ao voltar ao Brasil, passou a chefiar o Departamento de Cirurgia do Hospital das Clínicas da USP e atuou pelo reconhecimento da coloproctologia como especialidade médica.
Angelita integrava desde 1980 o corpo clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que lamentou sua morte em nota oficial. “Perdemos uma grande profissional e uma colega de quem sempre iremos nos lembrar com respeito, gratidão, carinho e admiração”, destacou o hospital, que se solidarizou com os familiares da pesquisadora.
Na carreira, Angelita recebeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais, foi reconhecida pela Universidade de Stanford e tornou-se, em 2023, a primeira mulher a receber a medalha Bigelow. Seu protocolo inovador para câncer de reto, desenvolvido na década de 1990, passou a ser incorporado às diretrizes americanas em 2024.





