Da redação
As delegações da Rússia e da Ucrânia estão em Genebra para uma nova rodada de negociações de paz nesta terça-feira (17), iniciativa promovida pelos Estados Unidos para tentar encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022. O presidente americano Donald Trump busca se firmar como mediador após duas conversas prévias, este ano, em Abu Dhabi, que não resultaram em avanços.
Antes do encontro, a Ucrânia acusou a Rússia de sabotar esforços de paz ao lançar 29 mísseis e 396 drones, ataques que deixaram uma pessoa morta e cortaram eletricidade de dezenas de milhares. Na terça-feira, novo ataque russo matou três funcionários de uma usina elétrica em Sloviansk, segundo autoridades ucranianas. “A dimensão do desprezo da Rússia pelos esforços de paz: um ataque maciço com mísseis e drones antes da próxima rodada de negociações”, publicou o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha.
A Rússia, por sua vez, afirmou ter destruído mais de 150 drones ucranianos, principalmente no sul e na Crimeia, ocupada desde 2014. O Kremlin, que nomeou Vladimir Medinsky como negociador-chefe, destacou que as negociações em Genebra ocorrerão a portas fechadas, sem imprensa, e que trabalhos seguirão na quarta-feira. A equipe ucraniana é liderada por Rustem Umerov, e os EUA contam com Steve Witkoff e Jared Kushner, mas aliados europeus de Kiev não participam.
O conflito é o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados. A Rússia ocupa cerca de 20% da Ucrânia, incluindo a Crimeia. O plano americano em discussão prevê concessões territoriais ucranianas em troca de garantias de segurança, mas Kiev rejeita a retirada de tropas da região de Donetsk, onde recentemente reconquistou 201 km², segundo dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
A área de avanço ucraniano, próxima a Zaporizhzhia, abriga a maior usina nuclear da Europa, sob controle russo e ponto central nas negociações.








