Da redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso celebrou a nova parceria estratégica entre o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e a Polícia Civil para proteger as eleições de 2026 contra a infiltração do crime organizado. O acordo prevê a criação de uma assessoria de inteligência policial dentro do tribunal, iniciativa considerada uma resposta às demandas da sociedade por segurança e pela defesa das instituições democráticas.
Segundo o corregedor e vice-presidente do TRE-MT, desembargador Marcos Machado, o principal desafio da Justiça Eleitoral nas próximas eleições será combater o financiamento de campanhas por organizações criminosas. “Financiamentos que começaram já nas eleições passadas de organizações para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional”, alertou Machado.
O desembargador Orlando Perri ressaltou a gravidade do quadro, lembrando que cerca de 33 mil pessoas em Mato Grosso são filiadas a facções criminosas. Um estudo de novembro de 2025, “Cartografias da Violência na Amazônia”, aponta o estado como líder nacional em número de municípios sob influência de facções: 92 dos 142 municípios (65,2%), com o Comando Vermelho presente em 85 deles.
A força-tarefa, inicialmente prevista por dois anos, vai identificar candidatos apoiados pelo crime organizado, realizar investigações permanentes e fornecer dados para barrar possíveis candidaturas ligadas a facções. O objetivo é impedir a instalação de um “narcoestado” no Legislativo e Executivo estadual.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também reforçaram a preocupação com o avanço do crime nas instituições democráticas. “É impossível que haja um Estado Democrático de Direito no qual as facções concorram com o Estado”, afirmou Gonet.






