Da redação
Quase quatro meses após o início de uma investigação da Polícia Federal, o destino de R$ 43 milhões em “emendas Pix” distribuídas a 41 cidades de 13 estados pelo Congresso Nacional segue sem explicações. A apuração foi determinada em setembro de 2023 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que mandou investigar um total de R$ 85 milhões em repasses não detalhados por diversos municípios.
Após a decisão do STF, parte das prefeituras apresentou planos de trabalho de última hora, mas até o Natal passado apenas R$ 42 milhões dos valores sob investigação haviam sido esclarecidos. Os documentos deveriam informar o objeto do repasse, detalhar a execução financeira e conter justificativas e declarações dos responsáveis, mas muitos municípios mantiveram omissões.
Entre as cidades que permaneceram sem explicações está Água Doce do Norte (ES), com 12 mil habitantes, que recebeu R$ 2,7 milhões, sobretudo de emendas do senador Magno Malta (PL) e da ex-deputada Lauriete. Malta afirmou ter destinado R$ 1 milhão para turismo e cultura, mas disse que o valor permanece bloqueado por falta de aprovação federal do plano de ação. A prefeitura não se manifestou, assim como Lauriete.
Outra cidade sem justificativa foi Barcelos (AM), que recebeu R$ 2 milhões do ex-deputado Marcelo Ramos (PT). Ele disse que os recursos foram usados na reforma do Piabodromo e que a exigência do plano não existia à época, mas ressaltou que responsabilidade pelas prestações de contas é da prefeitura, que também não respondeu.
O município de Maués (AM) lidera em valores não explicados: dos R$ 10,9 milhões recebidos, sendo R$ 7,9 milhões destinados por Bosco Saraiva (Solidariedade), apenas informações sobre a cobrança de providências foram apresentadas. Segundo Saraiva, as pendências estão sendo tratadas. Já Beruri (AM), que entregou o plano, culpou a gestão anterior pela ausência de dados sobre repasse do senador Omar Aziz (PSD), admitindo falha de transição.






