Da redação
Uma pesquisa publicada na última sexta-feira (23) pela revista britânica Taylor & Francis revelou que onças-pintadas brasileiras caçavam presas de quase uma tonelada durante a Era do Gelo. O principal alvo dos felinos era a preguiça-gigante (Ahytherium aureum), uma fonte rica em proteínas que também era disputada por outros predadores, como cachorros-do-mato e tigres dentes-de-sabre.
O estudo foi realizado por uma equipe composta por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo Mário A. T. Dantas, Luana Cardoso de Andrade, João Paulo da Costa, H. Gregory McDonald, Rodrigo Parisi Dutra e Claudia Guimarães Costa. Eles analisaram perfurações nos ossos de duas espécies fósseis encontradas na Bahia e Pernambuco: a preguiça-gigante e o Xenorhinotherium bahiense, herbívoro com corpo semelhante ao de uma lhama e tromba parecida com a de um elefante.
Segundo o paleontólogo Mário Dantas, da Universidade Federal da Bahia, as onças mantiveram o mesmo nicho ecológico ao longo do tempo, mas, naquela época, caçavam animais de grande porte devido à abundância de megafauna. Com a extinção desses animais, as onças diminuíram de tamanho, enquanto predadores especializados, como o tigre dente-de-sabre, desapareceram.
A identificação das marcas foi feita por comparação entre dentições de carnívoros e análise detalhada das perfurações, descartando outras causas, como larvas de inseto. O artigo também apresentou evidências de que onças-pintadas brigavam entre si, como sugerem marcas de mordidas em crânios de grandes felinos do período.
As descobertas indicam não apenas a presença de interações predatórias complexas entre onças e grandes herbívoros do Pleistoceno, mas também conflitos letais entre os próprios felinos, revelando aspectos pouco conhecidos do ecossistema brasileiro da Era do Gelo.





