Da redação
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta terça-feira (31) que não há discussões em andamento sobre a participação de Teerã em negociações no Paquistão para o fim do conflito. Nekounam confirmou, no entanto, que o Irã trocou mensagens com os Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, e que esse canal deve ser mantido. “Diferentemente das ilusões do presidente dos EUA, nenhuma autoridade iraniana conversou com autoridade americana. Algumas mensagens foram enviadas, e nós respondemos”, disse o diplomata em entrevista coletiva em Brasília.
Segundo Nekounam, a opinião pública iraniana rejeita qualquer diálogo direto com o governo Donald Trump, reforçando que tentativas anteriores resultaram em violência. “A visão da opinião pública é que nós negociamos duas vezes com inimigos e em ambas eles bombardearam a mesa de negociação. Desta vez, com o assassinato do líder supremo [Ali Khamenei], a opinião pública está contra qualquer normalidade com o outro lado e querem que sejam punidos na mesma medida”, declarou.
O embaixador afirmou que o Irã não vê limites para reagir contra ataques dos EUA e de Israel, prometendo retaliação a cada ofensiva recebida. “Temos como posição a autodefesa legítima e isso não tem limite para nós. Para cada ponto, cada região que nós fomos agredidos e invadidos, nós vamos retaliar da mesma forma”, afirmou.
Nekounam também destacou que o Irã está pronto para um conflito prolongado e que os EUA saem prejudicados geopoliticamente após mais de um mês de guerra. O diplomata criticou o bloqueio do estreito de Hormuz, destacando que a via está fechada apenas para navios ligados aos EUA e Israel e segue sob “gestão estratégica” iraniana. Ele defendeu uma nova gestão para o estreito, mantendo-o aberto a “nações amigas”.
O bloqueio de Hormuz, rota de 20% do petróleo mundial, já afeta combustíveis e fertilizantes com aumento de preços globais. Nekounam informou que navios iranianos de ureia já seguiram para o Brasil, mas enfatizou que 35% da ureia do mercado internacional passa pelo estreito e depende também de outros países do golfo sob ataque iraniano.





