Nas eleições, o necessário resgate da Questão Nacional


Da redação

O início turbulento de 2026 coloca em destaque a necessidade de o Brasil repensar sua posição internacional. A proximidade das eleições, mais do que uma disputa presidencial, representa decisão histórica: o país seguirá rumo à soberania ou continuará subordinado a interesses externos e a elites internas associadas?

Após o governo Jair Bolsonaro, caracterizado por autoritarismo e ataques à democracia, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 serviu de alívio para diversos setores democráticos. Entretanto, como mostraram intérpretes clássicos do Brasil, vitórias eleitorais não rompem, por si só, padrões de dependência e subordinação históricos.

Nesse contexto, volta ao centro do debate a chamada Questão Nacional, que indaga se o Brasil pode construir um projeto autônomo de desenvolvimento. Celso Furtado apontou o subdesenvolvimento como forma de inserção subordinada ao capitalismo global, mantida por elites nacionais. Florestan Fernandes destacou que a burguesia optou por uma modernização conservadora, perpetuando a dependência e impedindo uma revolução democrática autêntica.

O cenário internacional, com o enfraquecimento do multilateralismo e uso crescente da força por grandes potências, torna a discussão ainda mais urgente. Immanuel Wallerstein explica que hierarquias globais do sistema capitalista perpetuam desigualdades, transformando elites nacionais em agentes da dominação externa. Octavio Ianni reforça que a globalização reconfigura, mas não elimina, o Estado-nação, aprofundando as desigualdades.

Diante desse quadro, o Brasil precisa superar a subordinação externa e interna. Jessé Souza aponta que elites nacionais trocam soberania por privilégios enquanto bloqueiam reformas. Para Nildo Ouriques, não há democracia substantiva sem soberania econômica, tecnológica e militar. As eleições de 2026 devem escancarar esse dilema: a construção de uma consciência nacional torna-se fundamental para enfrentar a instabilidade da ordem mundial atual.