Da redação
Brasília, planejada para ser o centro político do Brasil desde sua inauguração em 1960, tornou-se também cenário marcante para o cinema e a televisão, assumindo papel simbólico em diversas produções. A capital aparece tanto em obras nacionais quanto internacionais, destacando-se por sua arquitetura modernista, largos horizontes e espaços urbanos distintos. Para cineastas, suas linhas geométricas e a luminosidade típica do Planalto Central oferecem singularidades visuais pouco vistas em outras cidades brasileiras.
Um exemplo recente desse fascínio é o filme brasileiro “O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Seleção de Elenco. A premiação acontece neste domingo, a partir das 19h30. As cenas do longa destacam edifícios emblemáticos de Brasília, como Morro Vermelho e Camargo Corrêa, projetados em 1974 por João Filgueiras Lima, preservando a arquitetura original e substituindo apenas os carros para recriar a época retratada.
Outra produção de destaque internacional foi “Democracia em vertigem”, documentário dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar 2020 de Melhor Documentário, que retrata a capital como palco direto das disputas políticas que marcaram o Brasil nos últimos anos.
Para cineastas locais, como José Eduardo Belmonte, diretor de “O pastor e o guerrilheiro”, filmar em Brasília é um exercício de memória e pertencimento, influenciado pela arquitetura de Oscar Niemeyer e o urbanismo de Lucio Costa. “Brasília tem uma qualidade cinematográfica muito particular”, afirma Belmonte. Ele destaca o desafio da escala monumental da cidade e cita o Eixão como espaço de grande potencial fílmico.
Novas gerações de cineastas, como a estudante Helena Versiani, buscam expandir os olhares sobre Brasília, explorando cenários além dos pontos turísticos. Em seu curta-metragem “Um gosto assim”, Helena prioriza ambientes cotidianos como a Água Mineral e a Birosca, com o objetivo de mostrar uma Brasília menos monumental e mais representativa da vida local.







