Por Alex Blau Blau
Operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal cumpre mandados em três unidades da federação e apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro
Uma nova etapa das investigações relacionadas ao Banco Master foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (18/06), ampliando o alcance das apurações que envolvem supostas irregularidades financeiras e possíveis relações indevidas entre empresários e agentes públicos. A ação ocorre simultaneamente na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
A operação tem como alvos principais o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex sócio do ex banqueiro Daniel Vorcaro, figura central em diversas frentes de investigação ligadas à instituição financeira.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal, agentes federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares que incluem monitoramento eletrônico, restrições de deslocamento e impedimento de contato entre investigados.
Segundo os investigadores, os fatos analisados podem envolver crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. As apurações buscam esclarecer a movimentação de recursos e possíveis favorecimentos relacionados às operações do banco.
Um dos pontos examinados pela investigação envolve repasses financeiros realizados à empresa BK Financeira, ligada à família do senador. De acordo com os dados reunidos no inquérito, a empresa teria recebido cerca de R$ 11 milhões desde 2021 para atuar na prospecção de operações de crédito consignado.
Valores citados na investigação Item analisado Valor Repasses à BK Financeira desde 2021 R$ 11 milhões Cobrança judicial atribuída a Augusto Lima R$ 247 milhões Estimativa de prejuízo investigado R$ 60 bilhões
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou qualquer participação em negociações ou intermediações envolvendo a empresa citada, sustentando que eventuais esclarecimentos devem ser prestados pelos responsáveis diretos pelas atividades empresariais. Já o empresário Augusto Ferreira Lima aparece novamente entre os investigados.
Ele foi alvo das primeiras fases da operação e teve patrimônio bloqueado por decisões judiciais. O empresário também enfrenta ações relacionadas à suposta ocultação de bens por meio de estruturas empresariais voltadas à proteção de ativos imobiliários.
As investigações apontam ainda que os danos provocados pelas operações sob análise podem alcançar a cifra de R$ 60 bilhões, valor que evidencia a dimensão do caso e reforça a importância das medidas adotadas pelas autoridades.
A nova fase da operação representa mais um capítulo de um dos maiores inquéritos financeiros em andamento no país, com potencial de atingir empresários, operadores financeiros e agentes públicos que eventualmente tenham participado dos fatos investigados.





