Da redação
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil passam a valer nesta quarta-feira, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA concluir investigação que acusou práticas “irrazoáveis”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alertou em carta que as medidas favorecem politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo comunicado dele ao órgão americano, no qual pediu o adiamento da decisão por 180 dias.
Pesquisas qualitativas do Instituto Democracia em Xeque, conduzidas por Beto Vasques com eleitores indecisos de Minas Gerais, Bahia e São Paulo, indicam que o tarifaço ameaça o orçamento dessa parcela do eleitorado, que atribui responsabilidade principal ao ex-presidente Donald Trump. Segundo Vasques, há críticas a Flávio Bolsonaro, por explorar a proximidade com Trump, e a Lula, por suposta falta de negociação.
Levantamento Quaest divulgado no dia 16 de julho mostra que 51% dos eleitores concordam com Lula ao responsabilizar Flávio Bolsonaro pelas tarifas, enquanto 30% apoiam a versão do senador. Os resultados prévios já indicavam melhora na avaliação do presidente entre os indecisos. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avalia que conflitos internos na base bolsonarista, especialmente envolvendo Michelle Bolsonaro, têm causado maior impacto negativo a Flávio do que as tarifas.
O contexto atual difere do primeiro tarifaço, quando a família Bolsonaro apoiou publicamente as taxas. Agora, Flávio tenta se posicionar contra as medidas, que derivam de investigação comercial formal dos Estados Unidos. Em maio, a decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas complicou ainda mais a relação entre Brasil e EUA, segundo análise do cientista político Sergio Simoni Junior, professor da Universidade de São Paulo.





