Da redação
A 26ª Conferência Internacional de Aids iniciou-se no Rio de Janeiro e destacou avanços científicos na prevenção do HIV, como medicamentos que oferecem proteção semelhante à de uma vacina. No entanto, segundo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, a distribuição desigual desses fármacos, causada pelos altos preços impostos por empresas detentoras de patentes, limita o acesso global.
Veriano Terto Jr., vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), afirmou em evento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que a América Latina, o Caribe e países africanos, mesmo contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias, continuam excluídos do acesso. Terto citou o caso do lenacapavir, medicamento injetável que previne o HIV com duas aplicações anuais. Segundo estudo do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Abia, o Brasil poderia produzir o fármaco por cerca de R$ 372 por paciente ao ano, enquanto o preço patenteado supera US$ 20 mil, inviabilizando sua adoção no sistema público.
Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids, declarou que “inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”. Segundo a agência, 20 milhões de pessoas precisam de prevenção baseada em medicamentos para impactar a epidemia com eficácia. O Unaids alerta, ainda, para o risco de colapso dos serviços devido à queda de mais de US$ 1,5 bilhão nos recursos internacionais entre 2024 e 2025 — redução de 18% — e recorde de baixas na ajuda global ao desenvolvimento em 2025, com retração de 23%.
De acordo com o Unaids, em 2025 foram registradas 1,2 milhão de novas infecções e 570 mil mortes por HIV/Aids. Vinte e dois por cento das pessoas vivendo com o vírus não recebem tratamento. Medicamentos como o lenacapavir poderiam ser fabricados em versões genéricas a US$ 40 por ano, mas muitos países não terão acesso a elas devido a restrições de patentes.




