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O “boneco do crime”: como o Chucky do crack movimentou R$ 150 milhões em drogas no DF

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Da redação

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta terça-feira (7/4), a segunda fase da Operação Monopólio, direcionada a uma das mais estruturadas organizações criminosas da capital federal. A força-tarefa mobilizou dezenas de agentes e resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em diferentes cidades: a maioria na Cidade Estrutural, com 12 diligências, além de ações em Ceilândia, Aparecida de Goiânia (GO) e São Paulo. No total, 19 pessoas foram indiciadas.

O principal alvo é Fabiano da Silva Lira, o “Chucky”, apontado como chefe do grupo, conhecido pela violência e controle territorial. A organização atuava no tráfico de drogas, especialmente crack, e em lavagem de dinheiro. As investigações indicam que, nos últimos quatro anos, o grupo movimentou cerca de R$ 60 milhões. Desde o início das atividades, o total movimentado ultrapassa R$ 150 milhões, especialmente a partir de 25 pontos de venda, concentrados na Cidade Estrutural.

O esquema funcionava de maneira semelhante a uma empresa, com divisão de tarefas e uma rede de operadores financeiros. Só o líder, “Chucky”, foi responsável por movimentar mais de R$ 12 milhões pessoalmente entre 2022 e 2024, enquanto uma análise anterior já havia identificado R$ 6 milhões passando por sua conta. Esse controle central consolidava seu papel em toda a engrenagem financeira da organização.

Para ocultar a origem dos valores ilícitos, o grupo investia em um elaborado sistema de lavagem de dinheiro. Uma das empresas de fachada movimentou mais de R$ 14 milhões. O uso de distribuidoras de bebidas, empresas fictícias, notas fiscais frias e a técnica de “smurfing” — fragmentação de depósitos em múltiplas contas — visava dificultar o rastreamento dos valores.

As penas para os crimes praticados podem chegar a até 33 anos de reclusão, considerando organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em maio de 2025, a primeira fase da operação já havia cumprido 22 mandados de prisão temporária e 29 de busca e apreensão, além do bloqueio de 26 contas bancárias e sequestro de bens. Após a prisão de “Chucky”, a organização tentou se reorganizar, o que motivou a nova ofensiva.