“O governador Ibaneis tem que ser reconhecido como o cara que resolveu o problema do Detran”, afirma Zélio Maia

Da redação do Conectado ao Poder

O ex-diretor-geral do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e candidato a deputado federal, Zélio Maia (MDB), foi entrevistado no programa Conectado ao Poder, da TV Cultura, pelo jornalista Sandro Gianelli, e falou sobre sua entrada no órgão, sobre os desafios encontrados, sobre mudanças feitas, sobre o apoio do governador Ibaneis para a execução dos trabalhos, além de pontuar sua entrada na política e seus projetos se for eleito.

Como foi a entrada no Detran?

Às vezes, o serviço público tem a fama de que não funciona. O governador Ibaneis Rocha (MDB) me convidou para resolver os problemas, mas isso nunca tinha passado na minha mente, até porque eu sou procurador do DF e advogado, então eu achava que não tinha relação. Quando eu entrei lá, tinham 8 contratos emergenciais, que, salvo exceções, são carimbos de corrupção. Isso dava R$ 27 milhões.

Qual contratação era mais grave?

Semáforo estava no terceiro emergencial e eles deram azar, porque como eu sou procurador, e tenho a experiência em ver a administração pública de dentro para fora, e como advogado na área de licitação, vejo a administração pelo lado do empresariado, quando eu olhei aquilo, eu vi que estavam criando dificuldade para não criarem a licitação.

Como foi lidar com esse cenário?

Nós descobrimos gargalos criminosos. As operações criminosas foram deflagradas a partir de provocação minha lá no Detran, com 11 na cadeia. 

Como foi a resolução dessa questão?

Eu olhei para aquilo e já sabia a receita do bolo e baixei uma normatização interna dizendo quais os prazos a serem seguidos, ou seja, o contrato vai sendo renovado de ano em ano, em até cinco vezes, no entanto quando renovar a penúltima vez, já abre o processo licitatório. Eu montei uma delegacia no meu gabinete, com um delegado aposentado e um agente da polícia aposentado, para me ajudar nas investigações. Nós acabamos com todos os contratos emergenciais em 2 anos.

Essa ação gerou quanto de economia aos cofres públicos?

R$ 72 milhões foram economizados com o combate à corrupção.

De que modo a equipe foi formada?

Pela primeira vez o diretor-geral do Detran nomeou todos os diretores. Eu coloquei um diretor de tecnologia, que é doutor pela UNB, coloquei um diretor financeiro, doutor por uma universidade francesa, então eu coloquei só perfil técnico.

Hoje, como estão os processos das vistorias?

Antes da minha gestão, para se fazer uma vistoria, era preciso aguardar 30, 60, 90 dias e hoje nós temos 58 empresas credenciadas, em que você gasta apenas 15 minutos da sua vida para fazer a vistoria.

Como foi o aval do governador Ibaneis para todo o trabalho executado?

O governador me deu a missão de legalizar tudo, com autonomia. O governador Ibaneis Rocha tem que ser reconhecido como o cara que queria resolver o problema do Detran e resolveu.

Quando você decidiu se jogar no mundo da política?

Nas últimas três eleições eu fui convidado a ser candidato a deputado federal, mas eu nem pensava nos convites e recusava imediatamente, porque eu nunca tive vontade, apesar de gostar da política. Quando eu assumi o Detran, eu fui alertado de que é possível fazer política com P maiúsculo. O que eu fiz no Detran, foi, além de combater a corrupção, entrega de serviço, tirando as filas e aí eu me despertei para a política, percebendo que dava para fazer alguma coisa e lancei a minha candidatura, devidamente combinada com o governador.

Quais são as suas três principais bandeiras?

Eu tenho como projeto transformar o crime de corrupção em crime hediondo, tornando em algo mais rigoroso. Tenho um foco grande em creche, vou procurar trazer o máximo de verba para esse setor, porque resolve um problema social grave das mães solo na periferia, que precisam trabalhar. O terceiro ponto é na área da empregabilidade, relacionado ao ensino profissionalizante, porque eu sou fruto disso.