Início Política O passado do helicóptero usado por bolsonarista para distribuir ‘picanha Bolsonaro’

O passado do helicóptero usado por bolsonarista para distribuir ‘picanha Bolsonaro’


Da redação

O Frigorífico Goiás, do empresário Leandro Batista Nóbrega, ganhou destaque no meio bolsonarista ao distribuir pacotes de picanha com imagens de Jair e Flávio Bolsonaro. Em dezembro, Nóbrega lançou peças de carne embaladas com a foto do ex-presidente, utilizando um helicóptero para sobrevoar a periferia de Goiânia. Dias depois, ao lado de Renato Araújo, amigo de Bolsonaro, distribuiu o produto a banhistas em Angra dos Reis (RJ), agora com foto de Flávio Bolsonaro.

Na última quarta-feira, o frigorífico levou dezenas de peças de picanha e “picanha black” para um churrasco em uma parada da caminhada do deputado Nikolas Ferreira rumo a Brasília. Novamente, as embalagens traziam imagens de Jair e Flávio, e o helicóptero do empresário foi utilizado no transporte da carne até o trecho da BR-040, onde Araújo também esteve presente.

A aeronave, de matrícula PT-HYC, foi alvo de questionamentos judiciais quanto à sua real propriedade. O helicóptero chegou a ser penhorado durante uma ação judicial relacionada a uma dívida do grupo de Nóbrega. O registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta que o Frigorífico Goiás comprou o helicóptero em 8 de julho de 2022 por R$ 3 milhões e, em 3 de maio de 2023, vendeu-o à SDN Empreendimentos e Participações Ltda pelo mesmo valor.

A venda ocorreu durante processo do Banco Safra, aberto em 2019, para cobrar dívida superior a R$ 2,3 milhões. Em 10 de maio de 2023, sete dias após a venda, o helicóptero foi penhorado por decisão da juíza Ana Laura Correa Rodrigues, da 3ª Vara Cível de São Paulo. O Safra alegou que a transferência teria sido feita para ocultar patrimônio, argumentando que o controle e uso da aeronave permaneceram com o frigorífico.

A SDN negou e afirmou ser a proprietária do helicóptero. Em setembro de 2024, as partes firmaram acordo de R$ 1,15 milhão, com pagamentos parcelados até junho de 2026, o que resultou na liberação da penhora e suspensão do processo até quitação.