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O revés de multinacionais em ação no Cade que investiga cartel no mercado de trabalho

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Da redação

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou, na terça-feira, 10, pedidos de gigantes como Nestlé Brasil, Unilever Brasil e Boticário para suspender investigação sobre possível combinação entre concorrentes no mercado de trabalho. O processo apura suspeitas relacionadas ao Grupo de Empresas de Consumo (Gecon), que reúne corporações do setor de bens de consumo.

Iniciada em 2024, a investigação foca na suspeita de troca de informações sensíveis envolvendo remuneração de trabalhadores e políticas de Recursos Humanos. De acordo com o Cade, a prática pode configurar conduta coordenada entre empresas concorrentes.

A decisão foi tomada pela Superintendência-Geral do Cade, que negou alegações de falta de competência do órgão para analisar o tema. Também foram rejeitados pedidos de nulidade da abertura do processo, questionamentos sobre acordos já firmados e alegações de falta de provas.

Com isso, o processo segue no enquadramento atual, considerando que a troca de informações sobre salários e políticas de RH pode violar as regras de concorrência. O caso agora entra na fase de produção de provas.

O Cade deverá intimar as empresas para complementarem informações, como dados de faturamento bruto, gastos com recursos humanos, identificação dos integrantes dos grupos econômicos e qualificação dos administradores entre 1994 e 2021. Entre as investigadas estão 3M do Brasil, Bayer, Boticário, BRF, Bunge, Cargill, Colgate-Palmolive, Danone, Diageo, Dexco, General Mills, Henkel, J. Macêdo, Jacobs Douwe Egberts, Kimberly-Clark, Louis Dreyfus, Masterfoods, Mondelez, Natura, Nestlé, Pepsico, Reckitt Benckiser, SEB, SPAL, Unilever e Whirlpool.