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O tiro no pé da Michelin que ajudou a derrubar taxas sobre pneus importados


Da redação

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado por Geraldo Alckmin, manifestou insatisfação com a Michelin, única fabricante relevante de pneus de bicicleta no Brasil. O motivo é a identificação de falhas em dados apresentados pela empresa durante a revisão da tarifa antidumping sobre importação de pneus da China, Índia e Vietnã.

A sobretaxa foi aplicada em 2020 e expiraria em fevereiro de 2025. A revisão para possível prorrogação da tarifa foi aberta a pedido da própria Michelin, que alega ser impactada pela competição externa. Durante o processo, a tarifa foi mantida enquanto o caso era analisado pelo MDIC.

Técnicos do ministério realizaram auditoria e constataram inconsistências nas informações prestadas pela Michelin. Segundo o MDIC, houve vendas não declaradas e divergências entre as notas fiscais e os registros contábeis. Para o ministério, essas falhas comprometeram a “confiabilidade” dos dados que poderiam sustentar a prorrogação da sobretaxa.

Diante disso, o governo encerrou a análise sem julgar o mérito do pedido da indústria. A tarifa, que poderia ser renovada por mais cinco anos, foi suspensa, liberando a importação de pneus desses três países.

Em nota, a Michelin considerou a decisão desproporcional, afirmou que forneceu todos os dados requeridos referentes ao período de 2019 a 2024 e destacou que apenas dois casos atípicos representaram 0,0004% das vendas. A empresa também declarou que buscará, junto ao governo, medidas para combater as importações desleais. A Associação Nacional da Indústria de Pneumático não se pronunciou até o momento.