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Obras da COP30 em Belém apresentam alagamentos e remoção de passarela por risco


Da redação

Menos de seis meses após a realização da COP30, obras executadas em Belém como legado do evento já apresentam falhas. Entre elas estão alagamentos frequentes no Parque Linear da Doca e no Parque Nova Tamandaré, e a retirada de parte de uma passarela de avenida devido ao risco de desabamento.

O Parque Linear da Doca, construído com mais de R$ 300 milhões financiados pela Itaipu Binacional, sofre com inundações constantes desde sua entrega. Localizado às margens do rio Guamá, o parque tem sido impactado especialmente durante períodos de chuva intensa. No último fim de semana, as fortes chuvas provocaram alagamentos, dificultando a circulação na região central de Belém.

Segundo relatos, em março o parque não resistiu à maré alta de 3,5 metros combinada com as chuvas, o que resultou em alagamento do entorno. Moradores registraram a situação em vídeos que circularam nas redes sociais, mostrando pessoas nadando na água acumulada no local, que foi construído sobre um antigo igarapé aterrado.

A professora Eliana Schuber, do Instituto Federal do Pará, aponta que o sistema de drenagem implantado não atende ao entorno do parque. “Foi feito um sistema muito pontual na doca e não contemplou o entorno, cujo sistema de coleta de água é muito antigo e não suporta as novas construções”, afirmou. O professor Juliano Ponte, da UFPA, destaca que a área verde do parque representa apenas 3,5%, enquanto recomenda-se ao menos 20% para bacias urbanas.

O governo do Pará nega falhas no planejamento e informa que a obra contempla esgotamento sanitário e comportas em funcionamento. O parque linear, segundo o estado, ampliou a cobertura vegetal com o plantio de 176 árvores e instalação de 6.300 m² de plantas em área onde não havia vegetação anteriormente.

No Parque Nova Tamandaré, estrutura inaugurada em novembro de 2023 com investimento de R$ 154 milhões do governo estadual e BNDES, as chuvas recentes deixaram o local submerso, atingindo 44 mil pessoas, segundo o Inmet. Ponte afirma que problemas de drenagem poderiam ser evitados com revisão dos tubos coletores e ampliação das áreas permeáveis.

A passarela da avenida Júlio César foi removida em março após riscos estruturais, tendo sido alvo de colisões de veículos e questionamentos técnicos. Já a ampliação da rua da Marinha, entregue com cinco meses de atraso e orçamento de R$ 253 milhões, foi criticada por impactos ambientais, levando a ajustes no projeto para preservar o Parque Ecológico Gunnar Vingren. Houve acordo formal com a Marinha para sua execução.