Da redação
O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, afirmou nesta quarta-feira (18) que a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto representa uma mácula na imagem da corporação. “Obviamente a PM sai maculada disso. Um de seus integrantes está preso preventivamente acusado de feminicídio”, declarou Coutinho, destacando que “a gente corta na própria carne para mostrar que não há diferenciações quanto ao autor do crime”.
As declarações foram feitas durante entrevista concedida pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) horas após a prisão de Geraldo Leite, detido pela manhã sob suspeita de assassinar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32, em São Paulo. O comandante estava ao lado do coronel Henguel Ricardo Pereira, número 2 da SSP, que classificou o caso como emblemático e afirmou ter ficado bastante chocado.
A Justiça Militar decretou a prisão do tenente-coronel a pedido da Corregedoria da PM, que apontou indícios do envolvimento dele na morte. Há ainda um segundo pedido de prisão, feito pela Polícia Civil, que segue pendente. A defesa do oficial informou na terça-feira (17) que ele se colocava à disposição das autoridades e não via justificativa para prisão preventiva.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, na sala da casa do casal no Brás, região central de São Paulo. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas posteriormente reclassificado como morte suspeita, homicídio e, agora, feminicídio. O próprio tenente-coronel acionou o resgate e a polícia, alegando que a esposa havia cometido suicídio.
A reclassificação ocorreu após laudos periciais revelarem lesões em pescoço e rosto de Gisele, indicando a presença de uma segunda pessoa, além de relatos sobre comportamento abusivo do oficial. Entre as principais evidências, estão a posição incomum da arma na mão do cadáver e marcas de sangue afastadas do local onde o corpo foi encontrado.







