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Ondas de calor já reduzem em até 10% a renda familiar na Europa


Da redação

Ondas de calor extremas têm consumido até 10% da renda familiar em regiões da Europa, especialmente na área de Madri, entre 2004 e 2022, segundo estudo da Climate Analytics divulgado neste ano. O fenômeno provocou impactos em cidades do Reino Unido, França e Espanha nesta semana, de acordo com registros históricos.

O estudo indica que o cenário tende a piorar caso as emissões de petróleo, gás e carvão não sejam reduzidas, apontando a mudança climática como principal causa do agravamento dessas ondas de calor. Nesta semana, recordes de temperatura foram superados no Reino Unido, Alemanha e França, onde foi registrado o dia mais quente desde 1947, além da maior média para junho na Espanha desde 1950.

As temperaturas ultrapassaram os 35°C em cidades britânicas como Surrey e Wiggonholt, superando marcas de 1976. Aproximadamente 94 milhões de europeus enfrentam temperaturas acima dos 35°C nesta semana, especialmente franceses e espanhóis. Se considerados os que enfrentaram mais de 30°C, o número sobe para 350 milhões, correspondendo a dois terços da população do continente.

Conforme o levantamento, eventos climáticos extremos já comprometem 3% da renda familiar em boa parte do sul europeu. Jessie Schleypen, uma das autoras do estudo, explica que a gravidade resulta da combinação de inverno seco, verão com pouca umidade e ausência de chuvas, agravados pelo aparecimento das ondas de calor.

Impactos negativos atingem principalmente a saúde, produtividade no trabalho, produção de alimentos e serviços relacionados à água, como transporte e geração de energia. Camadas mais vulneráveis podem ser as mais afetadas. Schleypen alerta que, com o aquecimento de 2,7°C, o número de pessoas sob risco de pobreza pode chegar a 127 milhões na Europa; mantendo-se em 1,5°C, seriam 60 milhões.

Entre 2002 e 2024, as regiões mais afetadas em termos de perda de renda foram Madri, com quase 10%, a Hungria central, com 9,4%, e a região central da Espanha, com 8,8%. Schleypen enfatiza a necessidade de ampliação de medidas de adaptação, pois “todos reconhecem que o problema existe, mas o que é preciso entender é que a situação vai piorar”.