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ONU: acesso humanitário a Gaza segue insuficiente para reconstrução


Da redação

O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Alexander De Croo, fez um apelo para que autoridades ampliem o acesso à Faixa de Gaza a fim de acelerar sua reconstrução após os confrontos iniciados em 7 de outubro de 2023, quando o grupo Hamas atacou Israel. A declaração foi dada após uma visita de três dias de De Croo a Gaza e à Cisjordânia.

De Croo destacou ser fundamental permitir que agências da ONU ampliem a retirada de escombros, fornecimento de abrigo e suprimentos médicos, além de poderem realizar evacuações de pacientes. Segundo ele, a ONU tem recursos financeiros e capacidade operacional para reforçar a ajuda em Gaza, mas enfrenta restrições de acesso.

Durante a visita, De Croo inspecionou o Mercado Firas, na Cidade de Gaza, onde, após dois anos de conflitos, cerca de 370 mil toneladas de lixo se acumularam, transformando o local em um grande depósito de dejetos. Até o momento, apenas 0,5% desses escombros foi removido. De Croo alertou que, mantendo o ritmo atual, seriam necessários sete anos para eliminar todos os detritos, e defendeu o aumento da capacidade para remoção e reciclagem.

O administrador afirmou que aproximadamente 90% da população de Gaza vive atualmente entre escombros, em situação extremamente perigosa. O Pnud iniciou, há uma semana, a limpeza do mercado com objetivo de reabrir a área como centro econômico e segue atuando para prover abrigo, saúde, educação e outros serviços essenciais.

De Croo também afirmou que a maior parte dos moradores continua em tendas improvisadas, embora o Pnud já tenha disponibilizado 4 mil unidades habitacionais de recuperação. Segundo ele, Gaza poderá precisar de até 300 mil unidades. O administrador reconheceu preocupações de segurança de Israel, mas defendeu que isso não deve impedir o acesso de organizações humanitárias.