Da redação
A Comissão das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) afirmou que a dívida pública crescente está limitando o crescimento econômico em países em desenvolvimento. Conforme a Unctad, esses governos têm destinado parcelas cada vez maiores dos recursos públicos ao pagamento de juros, sacrificando investimentos essenciais em áreas como saúde e educação.
De acordo com relatório divulgado pela agência, desde 2022 os pagamentos de juros externos superam os novos empréstimos líquidos, elevando o endividamento doméstico e reduzindo a capacidade de investir no futuro. A Unctad projeta que a dívida pública global deve alcançar US$ 111 trilhões em 2025, ante US$ 49 trilhões em 2010, com mais de dois terços desse montante concentrado em países desenvolvidos. O crescimento proporcional da dívida, no entanto, ocorre mais rápido entre as nações em desenvolvimento, ampliando o desequilíbrio financeiro global.
Segundo a Unctad, a desigualdade nos custos de financiamento agrava a crise. Países em desenvolvimento pagam, em média, juros de 5,2% ao ano sobre suas dívidas, enquanto as nações ricas arcam com 2,2%. O resultado é que o valor total dos juros nessas economias salta de US$ 363 bilhões em 2010 para previsão de até US$ 1 trilhão em 2025. Esse impacto “arrasador” é mais evidente em 51 países em desenvolvimento, que concentram 3,7 bilhões de pessoas e gastam mais com juros do que os orçamentos de saúde ou educação.
A Unctad aponta que, se as taxas cobradas dos países em desenvolvimento fossem igualadas às dos desenvolvidos, essas nações poderiam economizar cerca de US$ 500 bilhões anuais, suficientes para construir 1,3 milhão de centros de atenção primária à saúde ou garantir alimentação nutritiva para 1,6 bilhão de crianças. O alerta da agência antecede reunião da Plataforma de Mutuários, programada para 12 de outubro em Bangkok, durante as Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.




