Da redação
O Escritório de Direitos Humanos da ONU alertou para o aumento dos riscos à população civil após quatro anos da invasão russa à Ucrânia. Em apresentação ao Conselho de Direitos Humanos, a vice-alta-comissária da ONU, Nada Al-Nashif, destacou preocupação com o uso de drones de ataque. Segundo ela, durante os primeiros dois meses deste ano, 60% das vítimas civis estavam nas regiões da linha de frente e quase metade dos mortos era composta por idosos.
Dados apresentados mostram que, em 2025, pelo menos 580 civis morreram e 3.000 ficaram feridos em ataques com drones de curto alcance. Apenas nos dois primeiros meses do ano, 107 civis foram mortos e 430 ficaram feridos, quase o dobro da taxa registrada anteriormente. Al-Nashif afirmou que 95% dessas vítimas estavam em áreas controladas pelo governo ucraniano, mas o risco também é elevado nas regiões ocupadas pela Rússia, como em Oleshky, distrito de Kherson.
A vice-alta-comissária relatou dificuldades extremas para evacuação devido à presença de minas terrestres, aumentando os perigos para quem permanece próximo à linha de frente e agravando a escassez de alimentos e itens humanitários essenciais.
Al-Nashif também comentou sobre ataques russos à infraestrutura energética ucraniana, intensificados neste inverno e responsáveis por cortes de energia de até 22 horas diárias em algumas regiões. O Unicef ressaltou que centenas de milhares de ucranianos enfrentam temperaturas de até 15 graus negativos sem aquecimento, com crianças perdendo entre 79% e 88% do tempo de aprendizagem no início do ano.
A ONU denunciou ainda maus-tratos de prisioneiros de guerra ucranianos, com 96% relatando tortura sob custódia russa, desde o início da invasão em 2022. A vice-alta-comissária pediu o fim da guerra, respeito ao direito internacional e proteção aos prisioneiros de ambos os lados. Enquanto a Ucrânia destacou o deslocamento forçado de civis, a delegação russa rejeitou as acusações e criticou o apoio internacional a Kiev.





