Da redação
Governos, empresas de tecnologia, acadêmicos e representantes da sociedade civil participam do Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, que teve início em Genebra. O encontro de dois dias debate formas de regular uma tecnologia em rápida evolução, visando garantir benefícios seguros e justos, segundo a Organização das Nações Unidas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, acompanham as discussões. Pela primeira vez, todos os países podem debater a governança da IA em um espaço conjunto e buscar oportunidades de cooperação. O evento utiliza como referência o relatório preliminar do Painel Científico Internacional Independente, composto por 40 especialistas, que aponta benefícios transformadores gerados pela IA quando usada de forma responsável, mas destaca também novos perigos associados à tecnologia.
A jornalista filipina Maria Ressa, copresidente do painel, afirmou que a primeira geração de IA, empregada nas redes sociais, acelerou a propagação de desinformação. Segundo Ressa, “quando carregada de medo, raiva e ódio, a informação viraliza” e, sem distinção entre fato e ficção, “não é possível haver democracia”. Para ela, a era atual enfrenta um “Armagedon da informação”.
O cientista franco-canadense Yoshua Bengio, também copresidente do painel, afirmou que a inteligência artificial já iguala ou supera capacidades humanas em diversos domínios, avançando mais rápido do que a adaptação dos governos. O relatório, baseado em dados de cientistas de 37 países, ressalta que os riscos aumentam quanto mais o poder público demora para agir e defende salvaguardas universalmente aceitas para o desenvolvimento da IA.




