Da redação
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, lançou nesta quinta-feira, em Genebra, um apelo de US$ 400 milhões para apoiar as operações do órgão em 2026. O objetivo é suprir as necessidades crescentes diante do aumento das crises globais na área de direitos humanos. Turk alertou: “O mundo não pode permitir-se um sistema de direitos humanos em crise”.
Em 2025, o escritório atuou em 87 países, participou de mais de 1,3 mil julgamentos, apoiou 67 mil sobreviventes de tortura e documentou dezenas de milhares de abusos. A entidade também contribuiu para a libertação de mais de 4 mil pessoas detidas arbitrariamente. Recentemente, cortes de financiamento reduziram significativamente as missões de monitoramento, de 11 mil em 2024 para 5 mil em 2025, impactando programas em locais como Mianmar, Honduras e Chade.
Turk destacou que “os direitos humanos fazem as economias funcionarem para todos, em vez de aprofundarem a exclusão e gerarem instabilidade”. O escritório trabalhou com mais de 35 governos na análise de políticas econômicas sob a ótica dos direitos humanos, como no Djibouti, com foco orçamentário na saúde para pessoas com deficiência.
A crise de liquidez da ONU também afetou o sistema internacional de direitos humanos. Pelo menos 35 sessões de diálogo não foram realizadas e quatro das oito visitas planejadas pelo Subcomitê para a Prevenção da Tortura foram canceladas em 2025. O escritório perdeu cerca de 300 funcionários e encerrou ou reduziu atuação em 17 países, prejudicando áreas essenciais, como Colômbia, Guiné-Bissau e Tajiquistão.
Para 2025, o orçamento regular aprovado foi de US$ 246 milhões, mas apenas US$ 191,5 milhões foram recebidos, gerando um déficit de US$ 54,5 milhões. Para 2026, a Assembleia Geral aprovou US$ 224,3 milhões, valor 10% inferior ao do ano anterior, aumentando a incerteza sobre o funcionamento das operações. Turk afirmou que “os direitos humanos não podem esperar” e pediu reforço no apoio para garantir respostas imediatas.





