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Operação Anúbis: a investigação que expôs mortes provocadas dentro de uma UTI no DF


Da redação

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação Anúbis no Hospital Anchieta, em Taguatinga, investigando a morte intencional de ao menos três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2023. A apuração começou após denúncia recebida pelo Jornal de Brasília e resultou na prisão dos ex-técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, suspeitos de envolvimento nos homicídios qualificados.

Segundo a PCDF, as mortes ocorreram após a aplicação de doses elevadas e incompatíveis de medicamentos, administradas diretamente na corrente sanguínea, tornando as substâncias tóxicas e letais. Marcos Vinícius, de 24 anos, é apontado como principal suspeito: se passou por médico, acessou indevidamente o sistema de prescrição e retirou medicamentos sem autorização. Em um dos casos, ele teria injetado desinfetante hospitalar na veia de uma paciente, causando sucessivas paradas cardíacas.

As vítimas foram uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos da Caesb e um carteiro de 33 anos, todos morreram após receberem substâncias letais. Imagens de câmeras de segurança mostram o preparo, ocultação e aplicação dos medicamentos, seguidas de tentativas simuladas de reanimação.

A investigação contou com análise de vídeos, prontuários e laudos periciais. “Os elementos coletados são extremamente robustos. Foram três mortes dolosas, praticadas com intenção de matar”, afirmou o delegado Wisllei Salomão. As técnicas de enfermagem detidas também sabiam das substâncias e omitiram socorro, segundo a polícia. O hospital demitiu os envolvidos e colaborou com as investigações.

O caso segue em segredo de Justiça. Os suspeitos foram presos em janeiro e podem responder por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão por vítima. Conselhos de Medicina e Enfermagem acompanham as apurações e garantem rigor no processo ético e legal.