Da redação
A captura de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, intensificou incertezas na oposição local sobre os rumos do país sob a influência dos Estados Unidos e, em especial, do ex-presidente Donald Trump. Entre líderes políticos ligados a María Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz, e membros da sociedade civil, predomina o sentimento de desconfiança diante das declarações de Trump e do futuro incerto da transição. Ainda que o afastamento de Maduro tenha sido classificado como “extração cirúrgica”, causou desconforto a fala de Trump, que chamou María Corina de “mulher muito legal”, mas disse que ela não teria o respeito necessário para liderar a Venezuela.
María Corina, que não pôde concorrer à Presidência e viu seu candidato, Edmundo González, ser eleito em um pleito considerado fraudado, dedica seu Nobel a Trump. Contudo, para um ex-diplomata opositor, a falta de apoio de Trump pode beneficiar a opositora, mostrando-a como candidata do povo e não dos EUA.
Após fugir da Venezuela, María Corina está em local desconhecido na Europa. Em seu lugar, Delcy Rodríguez, apoiada por Maduro e atualmente acusada de traição por parte do chavismo, foi indicada por Washington como presidente interina e tomou posse nesta segunda-feira (5). O Supremo Tribunal venezuelano, dominado pelo chavismo, validou a nomeação de Delcy ao classificar a ausência de Maduro como temporária.
A Constituição exige nova eleição em 30 dias em caso de “ausência absoluta” do presidente, hipótese já descartada por Trump, ou prevê mandato interino do vice por até seis meses em caso de ausência temporária, seguida por eleições. Oposição trabalha para garantir que o pleito seja realizado ainda este ano, mas reconhece que o apoio internacional será fundamental para negociar transição real com os EUA.
Enquanto o núcleo do chavismo segue no poder e teme-se repressão, cresce a pressão pela libertação dos mais de 860 presos políticos, incluindo figuras como o ex-candidato Enrique Márquez e 176 militares. “A frustração que temos hoje é a mesma de antes [da captura de Maduro]”, afirma Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal.






