Da redação
Na histórica sessão de 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados votou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Sob o comando de Eduardo Cunha (PMDB), que repetiu a pergunta “Como vota, deputado?” por dez horas, a sessão ficou marcada pelo tumulto, discursos inflamados e homenagens diversas, como a “maçons do Brasil” e familiares de parlamentares.
Enquanto manifestantes ocupavam as ruas em protestos, o plenário se dividia entre oposicionistas, que entoavam o canto “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” e vestiam verde e amarelo, e a esquerda, que gritava “fora, Cunha”. O resultado foi 367 votos favoráveis e 137 contrários ao impeachment. Menos de um mês depois, Dilma foi afastada pelo Senado, sob acusação de crime de responsabilidade pelas pedaladas fiscais.
A sessão projetou nomes que ganhariam poder nos anos seguintes, como Rodrigo Maia, Arthur Lira, Hugo Motta e Rodrigo Pacheco, todos presentes e favoráveis ao impeachment. Entre os episódios marcantes, Jair Bolsonaro homenageou o torturador Ustra ao votar, Jean Wyllys cuspiu em Bolsonaro após atacá-lo verbalmente, e Glauber Braga chamou Cunha de “gângster”. Cunha votou sob vaias, dizendo: “Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Voto sim.”
Outros destaques foram Bruno Araújo (PSDB), que deu o decisivo 342º voto “sim pelo futuro”, Cabo Daciolo (PT do B), com seu “Glória a Deus” que ecoaria em sua futura campanha presidencial, e Luiz Henrique Mandetta, que elogiou Campo Grande e o Mato Grosso do Sul. O humorista Tiririca (PR-SP) votou sem piada, mas arrancando aplausos e brincadeiras dos colegas.
A votação tornou-se símbolo do antagonismo ideológico e do debate sobre corrupção e democracia, marcando a política brasileira da última década.






