Da redação
Nota de Alexandre de Moraes sobre mensagens de Vorcaro deixa perguntas sem resposta
A nota divulgada pelo ministro Alexandre de Moraes sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pela jornalista Malu Gaspar, busca afastar a hipótese de que Moraes tenha sido o destinatário das mensagens enviadas no dia da prisão do empresário. No entanto, o texto apresenta lacunas e não esclarece pontos centrais levantados após a divulgação das conversas.
O documento menciona uma “análise técnica” que teria concluído que os prints das conversas estariam vinculados a pastas de outros contatos. Fica sem resposta, porém, quem realizou essa análise, quais arquivos foram examinados e qual metodologia foi utilizada. Não se sabe se o exame foi feito por peritos oficiais, técnicos do gabinete, consultores privados ou pelo próprio ministro.
Outro aspecto não esclarecido é a relação de Moraes com a lista de contatos de Vorcaro. A nota apenas afirma que determinados prints estavam associados a outras pastas, mas não informa se há, ou não, algum número ligado diretamente ao ministro. Reportagem anterior aponta que contatos próximos a Moraes, como o número de sua esposa e um registro com o sobrenome Barci de Moraes, estão na agenda do empresário, o que não é abordado no texto do ministro.
A fragilidade do argumento reside na interpretação dessas “pastas”. De acordo com a advogada Juliana Bierrenbach, ferramentas forenses como o Cellebrite organizam arquivos automaticamente, sem identificar o destinatário das mensagens. Para determinar o verdadeiro destinatário, é preciso analisar o banco de dados interno do WhatsApp, chamado ChatStorage.sqlite – ponto ignorado pelo ministro.
Sem a análise desse banco de dados e sem um laudo pericial claro, as conclusões da nota permanecem insuficientes. Perguntas sobre os destinatários, os horários das mensagens e a relação com contatos próximos ao ministro continuam sem resposta, mantendo a falta de esclarecimento sobre o caso.







