Bancos sorteiam até R$ 1 milhão para você fazer o Pix; qual o interesse?

Com a chegada do Pix, novo sistema de pagamento instantâneo, bancos passaram a disputar a atenção dos consumidores oferecendo prêmios, como pontos em programa de fidelidade e até sorteio de R$ 1 milhão para quem decidir se cadastrar com eles. Por que as instituições financeiras querem tanto seus dados?

A proposta do Pix é permitir que as pessoas enviem e recebam dinheiro em dez segundos a qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana, incluindo feriados, sem cobrança de taxas para pessoa física. As instituições financeiras estão disputando o cadastro da chave do consumidor, que é uma forma de identificação da conta e pode ser o número do CPF, o celular, o email ou até uma chave aleatória.

Sorteio de dinheiro

Os bancos estão sorteando prêmios altos para atrair clientes ao Pix. O Santander tem uma promoção de R$ 1 milhão para um ganhador, o Banco do Brasil oferece R$ 470 mil para pessoas físicas (divididos em 228 prêmios) e o Nubank, R$ 370 mil (seis prêmios de R$ 20 mil e cinco prêmios de R$ 50 mil).

Para Thaís Cíntia Cárnio, especialista em banking e professora de direito das relações econômicas internacionais e mercado financeiro da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apesar de bancos perderem dinheiro com a chegada dessa modalidade, a maior preocupação é fidelizar os clientes existentes e atrair novos.

“As instituições querem trazer o cliente para perto, oferecendo a facilidade da chave para fazer com que ele se mantenha como correntista. Eu acredito que o principal ponto dessa disputa seja a fidelização, não só do cliente que eles já têm, mas conquistar a população desbancarizada e de outros bancos.”

Bancos querem concentrar negociações

Para ela, a briga também está em conseguir que o cliente cadastre as chaves mais fáceis, como celular e CPF. “Aquele banco que conseguir os primeiros cadastramentos, as chaves mais fáceis, consegue ter um volume de transações maior, o que para o banco é interessante.”

Rafael Pereira, presidente da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital), concorda que onde o consumidor cadastrar suas chaves é onde ficará o dinheiro e haverá tendência de transacionar mais. Segundo ele, os bancos tentam que um mesmo cliente cadastre todas as chaves com eles para que as outras instituições não tenham chance de apresentar serviços e produtos que possam fazer o consumidor mudar de banco.

Consumidor deve passar a ter mais contas

Para Pereira, a tendência com a chegada do Pix é que as pessoas não tenham mais apenas uma conta bancária, mas vários tipos de relacionamento financeiro.

“No Pix, você pode ter mais de uma chave. Usar uma para resolver as questões do dia a dia, outra para o dinheiro que está investido, outra para a conta que recebe o salário. A tendência é que tenha um ambiente mais descentralizado. Cada instituição tenta pegar um pedaço desse relacionamento com o cliente para apresentar propostas mais personalizadas.”

Ele diz ainda que o protagonismo agora passa a ser do consumidor. “Antes, a experiência do cliente era ditada pelo fornecedor, nesse caso, os bancos, que diziam ‘vá na minha agência das 10h às 16h’. Isso mudou. Agora o cliente diz como vai se relacionar.”

Incentivos podem ser necessários, diz especialista

Apesar de não precisar pagar tarifas, Antonio Cerqueiro, sócio da consultoria Bain & Company e responsável por estudos sobre o Pix, diz que serão necessários incentivos para que o consumidor use essa nova modalidade de transferência.

“A tendência é que no Brasil também sejam necessários programas de estímulo para que o usuário mude a forma de consumir ou transferir e use o Pix. Se a instituição dá um benefício, cashback ou cria um outro programa, pode fazer com que as pessoas migrem para o Pix. Dificilmente deve ocorrer essa migração natural, só pela conveniência de uso, porque as pessoas estão acostumadas a usar os cartões no Brasil.”

Para ele, o Pix traz benefícios para todos os clientes, mas mais ainda para clientes de menor renda. No caso dos grupos de média e alta renda, a depender do relacionamento com os bancos, eles já são isentos de algumas tarifas.

O que diz a Febraban?

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) diz que a entrada em operação do Pix deve ter impacto limitado nas tarifas. “Isso porque, segundo pesquisa realizada pela Febraban, 62% das contas transacionais já são isentas desse tipo de cobrança por regulação do Banco Central. Entre as contas restantes, uma parte significativa também é isenta de tarifas em função do relacionamento do titular com o banco ou em função do pacote de serviços contratado.”

Para a federação, o Pix será uma “oportunidade para o Brasil reduzir a necessidade do uso de dinheiro em espécie em transações comerciais, o que tende a reduzir os altos custos de transporte e logística de cédulas em um país de dimensões continentais como o nosso. Somente o custo de logística totaliza cerca de R$ 10 bilhões ao ano. Além disso, vemos maior conveniência para os clientes bancários na medida em que o Pix deverá reduzir a necessidade de saques em espécie nas agências bancárias e nos caixas eletrônicos”.

Por Thâmara Kaoru e Antonio Temóteo
Fonte: UOL

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