Da redação
Dez anos após o escândalo dos Panama Papers, cerca de US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada estão escondidos em paraísos fiscais e contas offshore, aponta relatório da Oxfam divulgado em 31 de março deste ano. O valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) da França e é mais que o dobro do PIB somado dos 44 países menos desenvolvidos. A análise foi realizada no contexto da década dos Panama Papers, investigação liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que analisou milhões de documentos vazados sobre empresas offshore.
Segundo a Oxfam, aproximadamente 80% dessa riqueza — cerca de US$ 2,84 trilhões — está nas mãos do 0,1% mais rico do mundo, grupo que concentra mais do que toda a riqueza pertencente à metade mais pobre da humanidade, composta por 4,1 bilhões de pessoas.
Para o coordenador de Tributação da Oxfam Internacional, Christian Hallum, “os Panama Papers levantaram o véu sobre um mundo sombrio onde os mais ricos movimentam fortunas imensas para além do alcance dos impostos e da fiscalização”. Em nota, ele alerta que “os super-ricos continuam escondendo verdadeiros oceanos de riqueza em cofres offshore”.
Oxfam e Hallum defendem ação internacional coordenada para tributar grandes fortunas e combater paraísos fiscais. “Quando milionários e bilionários escondem trilhões de dólares, colocam-se acima das obrigações do resto da sociedade”, diz Hallum. A organização afirma que a falta de tributação afeta negativamente serviços públicos e agrava a desigualdade.
Apesar de avanços, a Oxfam ressalta que o estoque de riqueza offshore não tributada permanece em 3,2% do PIB global, e que o progresso é desigual, já que a maioria dos países do Sul Global está atualmente excluída do sistema de Troca Automática de Informações. “Justiça fiscal passa necessariamente por tributar os super-ricos”, afirma a diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago.







