Da redação
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste ano um pacote de medidas que já ultrapassa R$ 180 bilhões, de acordo com levantamento feito a partir da avaliação de economistas e especialistas em contas públicas. As iniciativas incluem linhas de crédito e renúncias fiscais, com efeitos previstos para os próximos anos e impacto direto sobre a economia e as contas públicas federais. O objetivo principal é alcançar brasileiros de renda intermediária, fatia na qual Lula enfrenta resistência, conforme números do Datafolha.
Segundo o levantamento, 16 medidas foram implementadas, seis delas com impacto fiscal imediato por meio de renúncia de receitas ou aumento de despesas, e dez majoritariamente referentes a linhas de crédito com juros inferiores aos praticados pelo mercado, garantidas por fundos públicos. Entre elas estão aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações para o programa Desenrola 2.0, uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões e ônibus e R$ 10 bilhões para máquinas agrícolas. Há ainda proposta de aumentar o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e programa de renegociação de dívidas para o segmento.
O Ministério da Fazenda informou em nota que os projetos aprovados desde o início do mandato têm impacto direto sobre a vida de milhões de brasileiros, destacando que o governo atua de forma consistente. Já especialistas e o Banco Central avaliam que o pacote pode trazer riscos inflacionários e dificultar a redução da taxa básica de juros. O BC destacou em relatório recente que acompanha possíveis efeitos das medidas sobre a política monetária nos próximos meses.
Parte do pacote não entrou no levantamento por falta de estimativa de impacto fiscal, como a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, que previa arrecadação de R$ 1,2 bilhão neste ano. O governo também informou ao Congresso a expectativa de renúncia de R$ 4 bilhões com a elevação do teto de faturamento do MEI entre 2027 e 2028, e há linhas de crédito para entregadores, taxistas e motoristas de aplicativos.




