Início Brasil Padre José Eduardo é acusado de incentivar orações por golpe de Estado

Padre José Eduardo é acusado de incentivar orações por golpe de Estado

Da redação do Conectado ao Poder

Relatório da Polícia Federal aponta ligação do sacerdote com mensagens que estimulavam militares a agir contra a ordem democrática

O padre José Eduardo Oliveira e Silva foi indiciado pela Polícia Federal por seu envolvimento em mensagens que pediam a inclusão de nomes de generais e do ministro da Defesa em orações com um objetivo alarmante: incentivar ações consideradas como parte de um plano para um golpe de Estado. A informação faz parte de quase 900 páginas de um relatório que investiga possíveis conspirações para manter Jair Bolsonaro no poder após o fim de seu mandato.

De acordo com as apurações, o sacerdote convocava fiéis católicos e evangélicos a pedir coragem e ação histórica dos militares, segundo ele, para “salvar o Brasil” e “vencer a covardia”. As mensagens teriam circulado em grupos religiosos e, conforme a PF, alimentavam um discurso de insubordinação à democracia ao instigar ações para alterar a ordem constitucional vigente.

O relatório também faz menção à chamada “oração ao golpe”, uma prática que remonta a episódios anteriores envolvendo líderes religiosos em contextos políticos controversos no Brasil. A alusão trouxe à tona memórias de episódios como a “oração da propina”, registrada durante a Operação Caixa de Pandora, que envolveu políticos do Distrito Federal.

A investigação sugere que os apelos feitos pelo padre José Eduardo buscavam engajar religiosos em uma narrativa perigosa, misturando fé e política para justificar ações ilegais. Os desdobramentos do caso poderão ter impacto significativo tanto no âmbito político quanto na relação entre religião e esfera pública.