Início Brasil Pai de homem morto por PMs afirma que absolvição foi motivada por...

Pai de homem morto por PMs afirma que absolvição foi motivada por discriminação social

- Publicidade -


Da redação

O almoxarife Magdo de Moraes Santos criticou a decisão do júri popular que absolveu os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados pela morte de seu filho, Igor Oliveira de Moraes Santos, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo. Segundo o pai, a absolvição dos agentes se deu por discriminação “por ser pobre e nascido na favela”.

O julgamento ocorreu no Fórum da Barra Funda, na zona oeste, e teve início na terça-feira (28), sendo encerrado na noite de quinta-feira (30). O júri reconheceu que os disparos partiram dos policiais, conforme gravações de câmeras corporais, mas decidiu pela absolvição dos dois da acusação de homicídio qualificado. Os jurados, de acordo com a legislação, não precisam explicar o motivo do voto.

De acordo com a defesa dos agentes, a absolvição se baseou no entendimento do júri de que a atuação dos policiais se enquadrou em legítima defesa. O advogado João Carlos Campanini afirmou que “as imagens mostravam só uma pequena parte da ação”. Após a decisão, os militares, detidos há um ano no Presídio Militar Romão Gomes, serão soltos.

O Ministério Público recorreu da decisão. Os advogados Gabriela Amoras, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, assistentes de acusação pela família de Santos, argumentaram que a decisão é “manifestamente contrária às provas produzidas nos autos” e pediram novo julgamento. Desde 1996, acusados por crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares são julgados pela Justiça comum em júri popular.