Da redação
A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) tem promovido a iniciativa Átomos pela Vida, que utiliza a ciência nuclear para salvar vidas e incentivar o desenvolvimento, indo além da produção de energia. Países lusófonos participam dessa estratégia por meio de cooperação técnica em saúde e agricultura na África e América Latina, visando enfrentar crises urgentes.
Segundo Nuno Luzio, diretor adjunto do Escritório de Ligação da Aiea em Nova Iorque, o impacto é evidente principalmente no diagnóstico e tratamento do câncer. Ele destaca que “50% a 60% dos pacientes com cancro terão, a certa altura da doença, tratamento por radioterapia. E esse tratamento é uma tecnologia nuclear”.
Atualmente, Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal integram esse esforço junto à agência da ONU. Luzio salienta que, apesar dos diferentes estágios de desenvolvimento, a colaboração entre os países lusófonos une experiências distintas em torno de um objetivo comum, especialmente no fortalecimento de capacidades em áreas sensíveis como a saúde.
O Brasil é citado como ator central, com programa nuclear pacífico, assento no Conselho de Governadores da Aiea e reconhecimento internacional. Portugal, mesmo sem programa nuclear próprio, contribui com conhecimento e formação em física e medicina nuclear. Angola e Moçambique avançam na capacitação, sobretudo em instituições de saúde.
A transferência de conhecimento alcança resultados práticos, como a formação de técnicos moçambicanos em radioterapia no Brasil e bolsas de estudo concedidas por Portugal para africanos em áreas nucleares. Luzio reforça que essas ações promovem solidariedade técnica, impactando positivamente hospitais e universidades dos países de língua portuguesa.
O apoio da Aiea abrange desde o diagnóstico precoce com imagiologia nuclear até tratamentos de precisão e cuidados paliativos, aumentando a eficiência e a dignidade dos pacientes. Além da medicina, a tecnologia nuclear também beneficia setores como gestão da água, agricultura de precisão e segurança alimentar nos países lusófonos.





